Presidente da Casa alega impacto do ano eleitoral e encerra comissão mesmo após pedido de extensão
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu não prorrogar os trabalhos da CPI do Crime Organizado, conforme revelou o relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que havia protocolado pedido de extensão por 60 dias com o apoio de 28 parlamentares.
Alcolumbre justificou a negativa alegando que não seria “bom” manter uma CPI em ano eleitoral, como se investigar o avanço devastador de facções criminosas, milícias, conexões com o poder público e lavagem de dinheiro fosse uma inconveniência política em vez de um dever urgente do Legislativo.
Essa decisão sepulta prematuramente uma comissão que já reuniu volume expressivo de documentos e depoimentos, expondo a expansão do crime organizado para além da violência tradicional, e reforça a percepção de que, para parte da cúpula do Senado, proteger agendas eleitorais e eventuais aliados é prioridade maior do que entregar à sociedade um relatório robusto capaz de subsidiar leis mais duras e ações efetivas contra o poder paralelo que ameaça a soberania do Estado brasileiro.
No fim, o brasileiro comum, refém da insegurança crescente, paga a conta da omissão institucional travestida de “prudência”.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação