IRÃ VOLTA A FECHAR ESTREITO DE ORMUZ E AMEAÇA CESSAR-FOGO COM OS EUA

REDAÇÃO

Teerã impõe restrições à passagem de navios após ataques de Israel no Líbano, elevando tensão e risco para o comércio global de energia

O regime iraniano voltou a fechar o Estreito de Ormuz nesta quarta-feira, 8 de abril de 2026, apenas um dia após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas com os Estados Unidos, em mais uma demonstração de intransigência que ameaça desestabilizar o frágil acordo e prejudicar a economia global.
De acordo com agências de notícias iranianas como Tasnim e Fars, Teerã justificou a medida como resposta aos ataques de Israel contra alvos do Hezbollah no Líbano, que o regime considera uma violação do cessar-fogo mediado pelo Paquistão. No entanto, Israel já havia deixado claro que o acordo não se aplicava ao Líbano, e os bombardeios continuaram na região.
Em vez de permitir a reabertura plena e segura do estreito, como previsto no entendimento com Washington, o Irã impôs restrições arbitrárias: apenas navios iranianos ou com origem no país podem transitar livremente. Outras embarcações precisam de autorização explícita das forças navais iranianas, sob ameaça de destruição. Mensagens de rádio enviadas pela marinha do Irã, incluindo a Guarda Revolucionária, alertaram que qualquer navio que tentar passar sem permissão será alvo e destruído.
O Estreito de Ormuz é uma rota crítica por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás natural comercializado no mundo. O novo bloqueio interrompeu o tráfego de petroleiros que havia começado a ser retomado de forma controlada após o cessar-fogo, gerando preocupação com novos aumentos nos preços da energia e impactos em cadeias de suprimentos globais.
O cessar-fogo, anunciado pelo presidente Donald Trump como uma vitória que evitaria escalada maior, previa a suspensão de ataques americanos e israelenses contra o Irã por duas semanas, em troca da reabertura imediata e segura do estreito. O regime iraniano, porém, parece usar o controle da via marítima como instrumento de chantagem política, priorizando confrontos regionais em detrimento da estabilidade internacional.
Analistas apontam que essa atitude reforça a percepção de um governo disposto a colocar em risco o comércio mundial para manter sua influência por meio de grupos aliados, como o Hezbollah. A comunidade internacional acompanha com preocupação os desdobramentos, temendo que a intransigência iraniana leve ao colapso do frágil trégua e agrave a crise energética e humanitária na região.
Foto: White House