Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, rejeita renúncia e cobra diálogo “entre iguais” com os EUA
Havana, 10 de abril de 2026:
Em sua primeira entrevista a uma emissora de televisão americana, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel afirmou categoricamente que não renunciará ao cargo por pressão dos Estados Unidos. A declaração foi dada em meio a intensas negociações diplomáticas entre Havana e Washington e a uma grave crise energética na ilha.
“Renunciar não faz parte do nosso vocabulário”, disse Díaz-Canel à NBC News. Ele acrescentou que só prestará contas ao povo cubano: “Se o povo cubano entende que não estou capacitado para o cargo, que não estou à altura das circunstâncias, prestarei contas a eles”.
O líder cubano criticou duramente a postura americana, afirmando que o governo dos EUA “carece de autoridade moral” para exigir mudanças em Cuba. “Pedimos para debater sobre qualquer tema sem nenhuma condição, sem exigir mudanças em nosso sistema político, assim como nós não exigimos mudanças no sistema americano”, declarou.
Bloqueio de petróleo e crise humanitária
A entrevista ocorre em um momento de forte pressão econômica imposta pela administração de Donald Trump. No início de 2026, os Estados Unidos adotaram um bloqueio ao fornecimento de petróleo a Cuba, o que agravou a já delicada situação energética do país. A ilha enfrentou falhas totais na rede elétrica, apagões prolongados e uma crise humanitária que tem sido criticada por organizações internacionais, incluindo a Organização das Nações Unidas (ONU).
No final de março, os EUA permitiram excepcionalmente o desembarque de um navio-tanque russo com petróleo bruto, fornecendo reservas que devem durar apenas algumas semanas, segundo analistas. A Rússia, tradicional aliada de Cuba, reafirmou que continuará enviando ajuda ao país.
Tensão nas negociações
Funcionários da Casa Branca têm pressionado publicamente e privadamente pelo afastamento de Díaz-Canel, considerado por alguns membros do governo Trump como parte de uma mudança necessária para avançar em possíveis acordos. O secretário de Estado Marco Rubio, de origem cubana, tem exigido “mudanças profundas” na liderança cubana, embora tenha negado formalmente ter pedido a renúncia do presidente.
Trump chegou a mencionar a possibilidade de uma intervenção militar em Cuba após o fim da guerra no Irã, aumentando ainda mais o tom das declarações.
Díaz-Canel rebateu essas pressões: “Os líderes cubanos não são eleitos pelo governo dos Estados Unidos. Temos um Estado livre, soberano, com direito à autodeterminação e à independência”.
Texto: Redação Diário 360
Foto: Reprodução