Impeachment de ministros do STF vira prioridade polêmica e estratégica entre pré-candidatos ao Senado nas eleições de 2026
Por Grok – Análise Política
Fortaleza, 11 de abril de 2026
O Supremo Tribunal Federal (STF) deixou de ser um tema secundário e se transformou em um dos principais eixos da campanha eleitoral de 2026, especialmente nas disputas para o Senado Federal. Levantamentos de opinião indicam que uma parcela significativa do eleitorado associa a Corte a excessos de poder, censura e até envolvimento em escândalos, o que está fazendo partidos e pré-candidatos redefinirem suas plataformas para incluir o impeachment de ministros como compromisso explícito.
A matéria publicada pela revista Veja nesta semana revela que, ao lado de temas tradicionais como segurança pública, inflação, corrupção e saúde, o Judiciário — e especificamente o STF — ganha espaço central nas estratégias eleitorais. Cientes de que o “cenário adverso ao Judiciário pode render milhões de votos”, legendas da direita e centro-direita estão ajustando discursos e exigindo posicionamentos claros dos postulantes a senador.
O que motivou a polêmica: o escândalo do Banco Master
A inversão de imagem do STF ganhou força após o escândalo do Banco Master, liquidado pelo Banco Central após rombo superior a R$ 50 bilhões em operações fraudulentas. O caso expôs relações próximas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades, incluindo ministros do Supremo.
Entre os pontos mais citados:
Contrato de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes (R$ 80,2 milhões recebidos entre 2024 e 2025, segundo dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado).
Uso de jatos de Vorcaro por ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes (e esposa deste).
Negócios privados de Toffoli envolvendo valores na casa de R$ 35 milhões.
Mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro, inclusive horas antes da prisão do banqueiro.
Visita de Moraes a uma casa mantida por Vorcaro em Brasília para encontros com autoridades.
Moraes e Toffoli negam qualquer irregularidade ou influência indevida, afirmando que os contatos ocorreram antes das revelações sobre o rombo e que não havia conhecimento das fraudes. Mesmo assim, o episódio ampliou a desconfiança de parte da população em relação à Corte, que antes era vista por muitos como guardiã da democracia após os eventos de 8 de janeiro de 2023. Hoje, pesquisas apontam que cerca de metade dos brasileiros considera o Judiciário uma ameaça ou excessivamente poderoso. Um levantamento do Meio/Ideia mostrou que 42,5% veem a concentração de poder no Judiciário como a principal ameaça à democracia.
Há dezenas de pedidos de impeachment protocolados no Senado, especialmente contra Alexandre de Moraes (mais de 50 em alguns levantamentos recentes). Nenhum avançou significativamente, em grande parte pela postura de presidentes da Casa, que atuam como filtro inicial.
Partido Novo transforma o tema em exigência formal
O Partido Novo foi o mais explícito ao institucionalizar a pauta. Em resolução publicada no Diário Oficial da União em 8 de abril de 2026, a legenda determinou que candidatos ao Senado devem assumir “compromisso explícito” com o impeachment de ministros do STF em casos de crime de responsabilidade, abuso de autoridade, quebra de decoro, corrupção ou escândalos que tornem “incompatível ou vexatória” a permanência no cargo.
A resolução cita nominalmente Alexandre de Moraes e Dias Toffoli em alguns comunicados do partido e prevê apoio a projetos de lei e PECs que facilitem a tramitação desses processos. O presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, justificou: “A população tem a expectativa de que a política dê uma resposta a este Judiciário que abusou do seu poder, que cresceu demais, que censura e que se acha acima das leis”.
Pré-candidatos já alinhados:
Marcel van Hattem (RS)
Ricardo Salles (SP)
Deltan Dallagnol (PR, ex-procurador da Lava Jato)
O partido também proíbe alianças com federações de esquerda (PT, PSOL, PV, Rede e PCdoB).
O PL e a influência de Bolsonaro
No PL, partido ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, não há resolução formal, mas a orientação é clara. Bolsonaro pessoalmente seleciona os pré-candidatos ao Senado (mais de 30 nomes na lista), priorizando aqueles dispostos a formar uma maioria favorável ao impeachment.
Figuras de destaque:
Michelle Bolsonaro e Bia Kicis (pré-candidatas em Brasília) — ambas já chamam o STF de “ditadura judicial” e criticam o Congresso por “se amesquinhar”.
Em Santa Catarina: Carlos Bolsonaro e Caroline De Toni.
O partido estima eleger cerca de 25 senadores com essa bandeira e contar com mais 20 aliados, o suficiente para influenciar a escolha do presidente do Senado (responsável por dar início aos processos) e aprovar impeachment.
Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, reforçou a tese recentemente no Fórum da Liberdade, em Porto Alegre: “Um dos principais fatores que tem que ser levado em consideração na hora de escolher seu senador é: você é a favor ou contra impeachment de ministros do Supremo. Não tenho dúvida que o Senado, que vai ter dois terços renovado, vai ser majoritariamente a favor dessa pauta”.
Outros pré-candidatos em diferentes partidos também adotam discurso semelhante, totalizando pelo menos 50 nomes ancorados nessa narrativa.
Reações e riscos institucionais
A pauta divide opiniões. Defensores argumentam que o impeachment é mecanismo constitucional legítimo de controle dos Poderes (previsto na Lei 1.079/1950) e necessário para corrigir supostos abusos, como decisões monocráticas excessivas, censura e desequilíbrio entre os Poderes.
Críticos alertam para riscos à independência judicial e à democracia. Transformar o impeachment em “arma política” ou palanque eleitoral poderia fragilizar a Corte, que atua como contrapeso contramajoritário. Decisões recentes do próprio STF (como as de Gilmar Mendes exigindo quórum qualificado e filtro da PGR) buscam proteger o processo contra usos retaliatórios, mas são contestadas por quem defende maior efetividade do rito.
O presidente Lula chegou a comentar o caso Master, sugerindo que Moraes se declarasse impedido em processos relacionados e afirmando que o episódio “prejudica a imagem do Supremo”. “É preciso uma explicação convincente para a sociedade”, disse.
O que está em jogo para 2027
Com renovação de dois terços do Senado em 2026, o controle da Casa pode definir o destino dos pedidos de impeachment. Se uma maioria pró-impeachment se consolidar, a eleição do futuro presidente do Senado pode condicionar a tramitação desses processos. Especialistas preveem que o tema continuará polarizando o debate, influenciando não só as eleições majoritárias, mas também a governabilidade a partir de 2027.
Texto: Redação Diário 360
Foto: Valter Campanato/Agência