Personagem Lucélia, vivida por Daphne Bozaski, assume ponto de drogas e gera debate sobre limites da ficção e representação do crime na TV
A novela Três Graças, atualmente exibida pela TV Globo, voltou a ser alvo de críticas após uma cena em que a personagem Lucélia (interpretada por Daphne Bozaski) assume o comando de um ponto de tráfico de drogas e justifica a ação com discurso de “empoderamento” feminino. A Revista Oeste classificou o enredo como a criação de uma “traficante feminista”, acusando a emissora de romantizar o crime organizado e inserir ideologia de gênero em um contexto de violência e ilegalidade.
De acordo com a publicação, Lucélia toma as rédeas do tráfico e faz referência explícita ao empoderamento da mulher, transformando uma atividade criminosa em suposta narrativa de libertação ou liderança feminina. A cena gerou repercussão negativa nas redes sociais, com internautas questionando se a Globo estaria normalizando o envolvimento de mulheres com o tráfico ao revesti-lo de viés “progressista”.
A crítica da Revista Oeste destaca que a novela mistura elementos dramáticos típicos do folhetim com pautas contemporâneas, como feminismo e representatividade, mas desta vez aplicadas a uma figura ligada diretamente ao crime. Em vez de retratar o tráfico como uma realidade dura e destrutiva — que vitimiza comunidades inteiras —, a trama seria acusada de apresentar a personagem como uma mulher forte que “toma o poder” em um ambiente dominado por homens.
Contexto na trama de “Três Graças”
“Três Graças” é a novela das 21h da Globo, com enredo que envolve múltiplas tramas paralelas, incluindo relações afetivas, conflitos familiares e elementos do submundo do crime na comunidade da Chacrinha. Lucélia aparece como antagonista e, em capítulos recentes, avança na hierarquia do tráfico, usando argumentos que misturam ambição pessoal e retórica de empoderamento.
A polêmica se soma a outras críticas recorrentes à dramaturgia da Globo, que frequentemente é acusada por setores conservadores de inserir agendas ideológicas em suas produções, como diversidade sexual, questões de gênero e críticas sociais seletivas. No caso específico, o incômodo maior está na suposta suavização do tráfico de drogas — um dos maiores problemas de segurança pública do Brasil —, transformando uma criminosa em símbolo de “força feminina”.
Até o momento, a Globo e os autores da novela não se manifestaram publicamente sobre a crítica da Revista Oeste. A emissora costuma defender suas tramas como ficção que reflete a realidade complexa da sociedade brasileira, incluindo personagens moralmente ambíguos.
A matéria reacende o debate sobre o papel das novelas na formação cultural do país: enquanto uns defendem a liberdade artística e a construção de personagens multifacetados, outros veem risco de banalização do crime e de envio de mensagens contraditórias, especialmente para o público jovem.
O caso da “traficante feminista” de “Três Graças” reforça a polarização em torno da teledramaturgia brasileira, que continua sendo um dos produtos culturais mais influentes do país.
Texto: Redação Diário 360
Foto: Reprodução