ENQUANTO O MUNDO ASSISTE EM SILÊNCIO, O IRÃ AVANÇA: RECORDE DE 1.639 EXECUÇÕES E 48 MULHERES EM 2025

REDAÇÃO

Irã executou ao menos 1.639 pessoas em 2025, o maior número desde 1989

Paris, 13 de abril de 2026 (EFE/Diário 360)
As autoridades iranianas executaram pelo menos 1.639 pessoas ao longo de 2025, um aumento de 68% em relação ao ano anterior e o total mais alto registrado no país desde 1989, segundo um relatório anual divulgado nesta segunda-feira por duas organizações não-governamentais.
O dado foi apresentado em um relatório conjunto da Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, e da Ensemble contre la Peine de Mort (ECPM – Juntos contra a Pena de Morte), com sede em Paris.
As duas entidades monitoram sistematicamente o uso da pena capital no Irã.
Aumento significativo e falta de transparência
O número representa um salto em relação às 975 execuções registradas em 2024. As ONGs destacam que o total de 1.639 é considerado um “mínimo absoluto”, pois a maioria das execuções não é divulgada pela mídia oficial iraniana nem pelo governo.
Apenas 113 execuções (menos de 7% do total) foram anunciadas oficialmente em 2025 — proporção ainda menor que nos anos anteriores (9,5% em 2024 e 15% em 2023). Isso indica um alto grau de sigilo nas práticas do sistema judiciário iraniano.Em média, o Irã realizou mais de quatro execuções por dia ao longo de 2025.
Principais motivos das condenações
Quase metade das execuções (cerca de 58% a mais que em 2024) foram por delitos relacionados a drogas.
Outras 37 execuções ocorreram por acusações de estupro.
Pelo menos 48 mulheres foram enforcadas no período.
O relatório também registra execuções por crimes como homicídio, mas as organizações criticam o uso amplo da pena de morte para delitos que, segundo o direito internacional, não deveriam ser punidos com a morte (como tráfico de entorpecentes).
Contexto de repressão
As ONGs alertam que o número pode aumentar ainda mais nos próximos meses. O Irã viveu ondas de protestos em janeiro de 2026 e enfrentou um conflito armado com Israel e os Estados Unidos em 2025. As entidades temem que o regime utilize a pena capital de forma ainda mais intensa como instrumento de controle social e político após esses eventos.
Especialistas em direitos humanos apontam que muitas condenações ocorrem após julgamentos sumários, com base em “confissões” obtidas sob tortura, e afetam desproporcionalmente minorias étnicas (como balúchis e curdos) e migrantes (principalmente afegãos).
Reações e apelos
As duas organizações pediram que a comunidade internacional coloque o fim à pena de morte “no centro” de qualquer negociação futura com Teerã. Elas também cobram maior pressão sobre o governo iraniano para respeitar o direito à vida e garantir julgamentos justos.
A Anistia Internacional e outras entidades já vinham denunciando, ao longo de 2025, um “assalto horrível ao direito à vida” por parte das autoridades iranianas, com o número de execuções ultrapassando a marca de mil pessoas já nos primeiros meses do ano.
Texto: Redação Diário 360
Foto: Reprodução