Relatório final aponta que contrabando de cigarros movimenta bilhões, alimenta facções e explora infraestrutura do crime organizado no Brasil
O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado, encerrada nesta terça-feira (14), expõe com números alarmantes a podridão que domina o mercado de cigarros no Brasil: 41% do setor opera na ilegalidade, gerando bilhões em evasão fiscal e financiando diretamente as mesmas rotas de contrabando, logística e corrupção usadas pelo tráfico de drogas e pelas grandes facções criminosas como PCC e Comando Vermelho.
Em vez de mera sonegação, o contrabando de cigarros se consolidou como um pilar estratégico do crime organizado, que usa a distribuição clandestina para movimentar armas, drogas e dinheiro sujo com a mesma infraestrutura que espalha o terror nas ruas.
Enquanto o governo coleciona fracassos na fiscalização, aumenta impostos sobre o cigarro legal e observa o mercado ilegal crescer sem controle, o pagador de impostos honesto banca a conta duas vezes: sustentando um Estado ineficiente e financiando, indiretamente, a violência que destrói famílias e cidades.
Essa realidade escancarada pela CPI não é acidente, é a consequência previsível de uma política tributária burra aliada à total omissão frente ao avanço do crime organizado, que transformou até o simples cigarro em ferramenta de fortalecimento do submundo.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação