Relator da CPI do Crime vê “omissão total” de Gonet no caso Banco Master e pede indiciamento da PGR
Brasília, 14 de abril de 2026:
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, apresentou nesta terça-feira (14) o relatório final da comissão no qual acusa o procurador-geral da República, Paulo Gonet , de “omissão total” no caso Banco Master. No entanto, Vieira afirma que a inação de Gonet diante de acusações robustas, públicas e documentadas de possíveis crimes cometidos por altas autoridades configura crime de responsabilidade . O relator pede o indiciamento do chefe do Ministério Público Federal com base na Lei 1.079/1950, que tipifica a desejo de não cumprimento das atribuições de carga.
Mais rico ao PGRO relatório destaca que, apesar de relatórios da Polícia Federal, operações policiais com prisões e reportagens que revelaram possíveis conflitos de interesse envolvendo ministros do STF no caso Banco Master, o procurador-geral não apresentou quaisquer circunstâncias concretas de investigação.
Alessandro Vieira argumenta que a “paralisia” da PGR não decorre de falta de provas, mas de uma “decisão deliberada” de não exercer as atribuições exclusivas conferidas pela Constituição. O texto contrasta essa inércia com a atuação proativa da Polícia Federal, que produziu relatórios, deflagrou operações e prisões efetuosas no mesmo tema.
Contexto do caso Master
O caso envolve suspeitas de irregularidades financeiras, possíveis relações indevidas entre operadores do banco e autoridades, além de contratos milionários e interlocuções junto ao Banco Central. Entre os pontos citados estão:
Relatório da PF entregue ao ministro Edson Fachin;
Contrato de R$ 129 milhões do escritório da esposa de um ministro com o Banco Master;
Interlocução de outro ministro junto ao BC durante processo regulatório do banco.
O relator sustenta que a convergência desses elementos torna a omissão da PGR “injustificável” e incompatível com o dever funcional.
Outros pedidos da CPI
Além de Gonet, o relatório final da CPI do Crime Organizado pede o indiciamento dos ministros do STF Alexandre de Moraes , Dias Toffoli e Gilmar Mendes por condutas consideradas incompatíveis com o exercício do cargo, também por crimes de responsabilidade. O documento será votado ainda nesta terça-feira pela comissão.
A aparência não tem poder de decisão judicial ou de impeachment imediato, mas representa uma forte cobrança política contra as autoridades citadas.
A PGR ainda não se manifestou oficialmente sobre as acusações contidas no relatório.
Texto: Redação Diário 360
Foto: Gustavo Moreno/STF