Perícia em celulares de Daniel Vorcaro revela diálogos sobre contratação de agências para impulsionar conteúdos pró-banco e ações coordenadas contra autoridades e críticos durante crise regulatória
A Polícia Federal encontrou, durante a perícia em um dos celulares apreendidos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, diálogos que comprovam negociações para contratar agências de marketing de influência. O objetivo era promover campanhas coordenadas de defesa do Banco Master e ataques ao Banco Central e a adversários, especialmente no fim de 2024 e início de 2025, período em que a instituição enfrentava forte pressão regulatória.
Essa é a primeira vez que os investigadores identificam comprovação explícita de tratativas com agências profissionais, e não apenas conversas informais ou ordens diretas a influenciadores isolados, como já havia aparecido em análises anteriores de outros aparelhos. Um dos celulares analisados, referido em reportagens como o segundo aparelho de Vorcaro, revelou mensagens sobre orçamentos e propostas para o chamado Projeto DV, que incluía impulsionamento de conteúdos positivos sobre o banco e desqualificação de autoridades do Banco Central e de jornalistas críticos.
Uma das agências mencionadas nas conversas, a Spark, confirmou ter recebido pedido de orçamento para uma campanha de marketing de influência em defesa do Banco Master, mas afirmou que não fechou o contrato por considerá-lo eticamente incompatível. A Polícia Federal já investiga se houve contratações efetivas de influenciadores para criar um ambiente favorável à reversão da liquidação extrajudicial do banco, que ocorreu em novembro de 2025 e gerou um rombo bilionário no Fundo Garantidor de Créditos.
As novas descobertas fazem parte da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de gestão fraudulenta, emissão de títulos sem lastro, lavagem de dinheiro e possível organização criminosa envolvendo o Banco Master. Ao todo, foram apreendidos vários celulares com Vorcaro, e a perícia de parte deles já revelou mais de oito mil vídeos, mensagens sobre suposta corrupção de servidores públicos, monitoramento de adversários, ameaças e planos de ataques coordenados nas redes sociais.
Daniel Vorcaro foi preso duas vezes pela Polícia Federal no âmbito da operação e atualmente negocia uma possível delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. A análise dos aparelhos continua em andamento e pode gerar novas investigações e revelações nos próximos meses. A defesa do ex-banqueiro ainda não se manifestou publicamente sobre o conteúdo específico extraído desse segundo celular.
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