EMBAIXADOR DO BRASIL NO IRÃ: ELOGIAVA A “RESISTÊNCIA IRANIANA”; HOJE REZA PARA AS PAREDES NÃO CAÍREM

REDAÇÃO

Embaixador brasileiro descreve rotina de bombardeios em Teerã, alerta para impacto civil e critica a ideia de “dano colateral” na guerra entre Irã, estados unidos e israel

“Guerra não é videogame”: embaixador do Brasil no Irã relata explosões, tremor de paredes e mortes no conflito. O embaixador do Brasil em Teerã, André Veras Guimarães, 59 anos, descreveu em entrevista à BBC News Brasil a dura realidade vivida na capital iraniana durante as primeiras semanas da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel. Morador do último andar de um prédio residencial, ele perdeu a conta de quantas vezes acordou no meio da noite com estrondos violentos e o tremor das paredes, enquanto via pela janela prédios explodindo.
“Guerra não é videogame”, afirmou o diplomata com contundência. Ele relatou que os bombardeios eram diários e podiam ocorrer a qualquer hora, de dia ou de noite, atingindo não apenas alvos militares, mas causando grande número de vítimas civis. Segundo o embaixador, o governo iraniano estima que mais de 3.500 iranianos já morreram nos ataques. Ele criticou o conceito de “dano colateral”, usado para justificar a destruição de escolas, hospitais, universidades e casas de civis. Um exemplo citado foi o ataque a uma escola primária em Minab, que matou 175 pessoas, a maioria meninas, no primeiro dia da guerra. Veras também mencionou que, quando uma autoridade iraniana é atingida, “leva consigo mais 15 pessoas, outros tantos feridos e muitas estruturas destruídas”. Levantamentos independentes, como o do The New York Times, confirmam danos a dezenas de escolas e instituições de saúde. Um cessar-fogo temporário de duas semanas foi anunciado em 7 de abril, condicionado à abertura do estreito de Hormuz, mas a tensão persiste. Após o fracasso de negociações recentes em Islamabad, a população iraniana vive em clima de “apreensão, expectativa e medo” sobre o que pode acontecer nos próximos dias. O embaixador destacou a resiliência da sociedade iraniana, que mantém supermercados abastecidos e serviços básicos funcionando apesar das sanções e dos ataques. Dos cerca de 180 brasileiros que estavam no Irã antes do conflito, aproximadamente 60 a 70 já deixaram o país. A reportagem reforça o contraste entre a narrativa de ataques “precisos” divulgada por Washington e a realidade no terreno: uma guerra que afeta diretamente a população civil e gera um sentimento de união nacional no Irã diante da ameaça externa. A entrevista foi concedida na terça-feira (14 de abril de 2026), quando o conflito completava 46 dias.
Texto: Redação Diário 360
Foto: Reprodução