ENQUANTO O CRIME AVANÇA, CANDIDATA SAMARA MARTINS GRITA: “ACABEM COM A POLÍCIA”; A BANDEIRA SUICIDA DA UP

REDAÇÃO

Pré-candidata da extrema-esquerda propõe o fim da Polícia Militar e acende alerta sobre segurança pública

Samara Martins, dentista do SUS e pré-candidata à Presidência da República pela Unidade Popular (UP), defende a extinção da Polícia Militar como parte do programa radical de seu partido para as eleições de 2026. A proposta, que circula em publicações de apoiadores e críticos nas redes sociais, reacende o debate sobre segurança pública num país que registrou mais de 40 mil homicídios em 2025 e convive diariamente com o domínio do crime organizado em favelas e periferias.
A militante da Frente Negra Revolucionária e do Movimento de Mulheres Olga Benário apresenta a PM como um “instrumento de repressão da burguesia” contra a população negra e periférica. Segundo a linha da UP, a corporação seria herdeira de estruturas autoritárias e deveria ser dissolvida no contexto de uma “revolução socialista” e da construção do “poder popular”. Em seu lugar, o partido fala genericamente em “organização da classe trabalhadora”, sem detalhar qual força de segurança substituiria as mais de 400 mil policiais militares que hoje atuam nos estados.
A ideia não é nova na UP — já aparecia no programa de Leonardo Péricles em 2022, quando Samara foi candidata a vice —, mas ganha contornos mais concretos com a pré-candidatura da dentista de 38 anos, natural de Belo Horizonte e radicada em Natal (RN). Até o momento, ela é a única mulher e a única pré-candidata negra declarada para 2026, o que o partido tenta transformar em bandeira de representatividade.
No entanto, o conteúdo programático revela um projeto muito mais amplo e controverso: nacionalização de bancos, estatização de transportes, reforma agrária com expropriação de terras, revogação das reformas trabalhista e previdenciária, redução drástica da jornada de trabalho e construção do socialismo.
Especialistas em segurança pública ouvidos por veículos como Estadão e Veja classificam a proposta como “irresponsável” e “perigosa”.
“Acabar com a PM sem apresentar uma alternativa concreta significa desarmar o Estado exatamente onde o crime mais avança: o tráfico de drogas, as milícias e o roubo de cargas”, afirma um secretário de Segurança de um grande estado, sob reserva.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que as polícias militares são responsáveis pela maior parte do policiamento ostensivo e preventivo no país. Sua extinção, sem planejamento, poderia gerar um vácuo de poder que seria rapidamente ocupado por facções criminosas.
Críticos lembram que experiências semelhantes de “desmilitarização” ou redução drástica de efetivos policiais em outros países — ou mesmo em algumas cidades brasileiras durante governos de esquerda mais radicais — costumaram resultar em aumento da criminalidade e sensação de insegurança, especialmente entre as camadas mais pobres, justamente aquelas que a UP diz defender.
A pré-candidatura de Samara Martins ainda é marginal. Em 2022, a chapa da UP obteve apenas 0,05% dos votos. A legenda, de orientação trotskista e socialista revolucionária, usa a disputa eleitoral mais como palanque para propaganda ideológica do que como projeto realista de poder.
Mesmo assim, a proposta de acabar com a Polícia Militar serve como termômetro do radicalismo que ainda habita parte da esquerda brasileira, mesmo após anos de governos petistas e em meio a uma sociedade que, segundo todas as pesquisas de opinião, coloca segurança como uma das principais preocupações.
Enquanto Samara Martins percorre o país denunciando “violência de Estado” e convocando a “organização da classe”, o brasileiro comum continua trancando portas mais cedo, evitando certas regiões e cobrando do poder público o mínimo: o direito de ir e vir sem medo.
Extinguir a principal força de policiamento ostensivo sem qualquer plano B não parece solução. Soa, para muitos, como um perigoso salto no escuro — ou pior, como a entrega deliberada do território ao crime.
Texto: Redação Diário 360
Foto: Casa Branca