SEM LULA E SEM MINISTRO, AGRONEGÓCIO ABRE PORTAS PARA FLÁVIO BOLSONARO

REDAÇÃO

Show em Mato Grosso Senador e pré-candidato à presidência participa de um dos maiores eventos do agronegócio brasileiro em Sinop (MT) acompanhado de lideranças do PL

O agronegócio brasileiro continua mandando recados políticos claros. Nesta quarta-feira (22), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, participou da Norte Show 2026, em Sinop, no Mato Grosso, um dos principais eventos do setor no país. A ausência de representantes do governo Lula no evento não passou despercebida.
Acompanhado pelos senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Wellington Fagundes (PL-MT), além do deputado federal José Medeiros (PL-MT), Flávio percorreu estandes da feira, participou de encontros reservados com representantes do agronegócio e conversou com empresários da região.
A agenda foi montada estrategicamente para aproximar o parlamentar de um setor historicamente avesso ao atual governo federal.
A movimentação não é isolada. Em abril do ano passado, a Agrishow — a maior feira de tecnologia agrícola do país, realizada em Ribeirão Preto (SP) — também evidenciou o distanciamento entre o Palácio do Planalto e o campo. O presidente Lula não compareceu ao evento, e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, cancelou sua participação alegando indisponibilidade. O vice-presidente Geraldo Alckmin foi o único representante do governo no evento, tentando conter o desgaste junto ao setor.
O cenário se repete agora no Centro-Oeste. Enquanto o governo federal não marca presença nas grandes vitrines do agro, a oposição ocupa o espaço com desenvoltura — e com olho nas urnas de outubro de 2026.
Para o PL, a estratégia é clara: consolidar Flávio Bolsonaro como o nome da direita junto ao agronegócio, um eleitorado que foi decisivo nas vitórias de Jair Bolsonaro em 2018 e 2022. A região Centro-Oeste, maior polo produtivo do país, é considerada território prioritário para a campanha que já começa a se desenhar.
Do lado do governo, o silêncio no campo pode custar caro. O agronegócio responde por cerca de 25% do PIB brasileiro e concentra uma base eleitoral organizada, financeiramente influente e cada vez mais mobilizada politicamente — e que, por ora, não está olhando para Brasília.
Foto: Getty Images / Divulgação