Após habeas corpus do STJ, polícia aponta risco e tenta converter medidas em prisão preventiva
A Polícia Federal voltou a movimentar o cenário da Operação Narco Fluxo nesta quinta-feira (23 de abril de 2026), ao solicitar à Justiça a decretação de prisão preventiva de novos alvos ligados ao caso, entre eles os MCs Ryan SP e Poze do Rodo, além de Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, e outros investigados. O pedido ocorre em meio à sequência de decisões judiciais que, ao longo dos últimos dias, têm alternado entre prisões temporárias, habeas corpus e novas diligências no âmbito da investigação.
Segundo informações divulgadas por veículos da imprensa, a operação apura a existência de um suposto esquema financeiro que teria movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão, envolvendo práticas como lavagem de dinheiro, apostas ilegais em plataformas conhecidas popularmente como “jogo do tigrinho” e rifas clandestinas. Os investigadores também trabalham com a hipótese de ligação com organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), embora os detalhes dessa conexão ainda estejam sob análise e não tenham sido confirmados judicialmente.
Os investigados haviam sido alvo de prisões temporárias durante a deflagração da operação, ocorrida no último dia 15 de abril. Na ocasião, a Polícia Federal cumpriu mandados contra influenciadores digitais, funkeiros e outros nomes ligados ao meio digital, sob suspeita de participação no esquema investigado. No entanto, as prisões tinham caráter provisório e prazo determinado.
Na sequência, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu habeas corpus e determinou a soltura dos detidos, ao entender que o prazo das prisões temporárias havia expirado. A decisão provocou uma reviravolta no caso e levou à libertação dos investigados, ainda que eles permaneçam formalmente sob investigação e sujeitos a outras medidas cautelares.
Poucas horas após a decisão do STJ, a Polícia Federal apresentou um novo pedido de prisão, desta vez na modalidade preventiva, que não possui prazo determinado. De acordo com a corporação, haveria indícios de risco de continuidade das atividades investigadas, possibilidade de destruição de provas e até eventual tentativa de fuga por parte dos envolvidos. Esses argumentos agora serão avaliados pelo Judiciário, que decidirá se acata ou não o novo pedido.
O caso segue em andamento e ainda está em fase de apuração, o que significa que nenhuma condenação foi estabelecida até o momento. As defesas dos investigados, em ocasiões anteriores, negaram participação em atividades ilícitas e contestam as medidas adotadas durante a operação.
Com a nova ofensiva da Polícia Federal, o cenário jurídico do caso volta a ficar indefinido, marcando mais um capítulo de uma investigação que envolve nomes conhecidos da internet e do cenário musical, além de movimentações financeiras de grande volume e suspeitas de atuação em estruturas criminosas complexas.
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