PF VOLTA ATRÁS E DEVOLVE CREDENCIAIS DE AGENTE AMERICANO EM BRASÍLIA

REDAÇÃO

Decisão ocorre dias após medida de reciprocidade envolvendo autoridades brasileiras e americanas

A Polícia Federal (PF) protagonizou, em abril de 2026, um episódio diplomático incomum ao retirar — e posteriormente devolver — as credenciais de um agente americano que atuava em Brasília. A medida ocorreu em resposta à decisão dos Estados Unidos de solicitar a saída de um delegado brasileiro que trabalhava como oficial de ligação em Miami.
O caso teve início após o governo norte-americano pedir o afastamento do delegado da PF Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava junto ao Immigration and Customs Enforcement (ICE). Segundo autoridades americanas, ele teria tentado contornar regras do sistema migratório dos EUA durante uma cooperação policial relacionada ao ex-deputado Alexandre Ramagem, que chegou a ser detido temporariamente no país antes de ser liberado.
Como reação, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinou a retirada das credenciais de um agente de imigração dos Estados Unidos que trabalhava dentro da sede da corporação, em Brasília. A decisão, tomada por volta de 22 de abril, foi baseada no chamado “princípio da reciprocidade”, prática comum nas relações internacionais em que um país responde a uma ação de outro na mesma medida.
A tensão aumentou quando o Itamaraty também decidiu pela expulsão de outro agente americano, identificado como Michael William Myers, ligado ao ICE. A medida reforçou o gesto brasileiro diante da decisão dos EUA.
No entanto, dias depois, houve uma mudança de rumo. Após avaliar que a resposta já havia sido proporcional, a Polícia Federal optou por devolver as credenciais ao agente que atuava em Brasília. A reversão, confirmada em 27 de abril, foi interpretada como uma tentativa de evitar escalada diplomática e preservar a cooperação bilateral entre os dois países.
Apesar do episódio, autoridades indicam que a parceria entre Brasil e Estados Unidos na área de segurança pública segue ativa. Casos como esse são considerados pontuais dentro de uma relação mais ampla, marcada por intercâmbio de informações e operações conjuntas.
O episódio ilustra como mecanismos diplomáticos, como a reciprocidade, são utilizados na prática para responder a decisões unilaterais, ao mesmo tempo em que evidencia os limites dessas ações diante da necessidade de manter canais de cooperação internacional.
Foto: Metrópoles