“CHEGA DE PRISÕES POLÍTICAS!”: REJEIÇÃO DE MESSIAS AO STF É MARCO PARA OS MANIFESTANTES DE 8 DE JANEIRO

REDAÇÃO

Votação que barrou Jorge Messias evidencia resistência no congresso e reacende discussões sobre punições e papel do judiciário

Em uma das derrotas mais expressivas do governo Lula desde o início do terceiro mandato, o Senado Federal rejeitou, nesta quarta-feira (29), a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O placar foi de 42 votos contrários e 34 favoráveis, insuficiente para alcançar a maioria absoluta de 41 votos exigida para aprovação. Trata-se da primeira rejeição de um indicado ao STF pelo Senado em mais de um século.
A votação evidenciou forte resistência no Congresso, especialmente por parte de parlamentares da oposição, que já vinham sinalizando dificuldades durante a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Na ocasião, Messias foi questionado sobre sua atuação em processos relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023, tema que dominou parte relevante dos debates.
Durante a análise de seu nome, senadores levantaram questionamentos sobre o tratamento dado aos envolvidos nos episódios em Brasília, incluindo críticas de que as punições teriam sido excessivas. Para setores da oposição, a rejeição do indicado representa um posicionamento político do Senado diante do tema, além de um recado institucional em relação à atuação do Judiciário nesses casos.
O resultado também revela desafios na articulação política do governo federal com o Congresso Nacional, especialmente em um cenário de maior tensão entre os Poderes e proximidade do calendário eleitoral. A decisão reforça o papel do Senado no processo de indicação de ministros do STF, ao mesmo tempo em que impõe ao Executivo a necessidade de construir maior consenso em futuras escolhas.
Com a rejeição, caberá agora ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicar um novo nome para a vaga no Supremo, que deverá passar novamente por sabatina na CCJ e votação no plenário do Senado.
Foto: Agência Senado