OPERAÇÃO DA PF APONTA REPASSES DE ATÉ R$ 18 MILHÕES A CIRO NOGUEIRA

REDAÇÃO

PF suspeita de repasses mensais e participação de empresas ligadas ao senador em esquema que pode chegar a R$ 18 milhões.

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (7) a 5ª fase da Operação Compliance Zero, tendo como um dos principais alvos o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar em Brasília e no Piauí, dentro de uma investigação que apura um suposto esquema de corrupção envolvendo o Banco Master, empresários do setor financeiro e operadores políticos.
Segundo informações da investigação, a PF suspeita que empresas associadas ao senador tenham recebido depósitos mensais que poderiam ter somado até R$ 18 milhões ao longo de aproximadamente três anos. Os valores, de acordo com os investigadores, teriam sido pagos em troca da atuação política de Ciro Nogueira na defesa de interesses do Banco Master dentro do Congresso Nacional.
O que a Polícia Federal investiga
As apurações apontam que o senador teria atuado para viabilizar mudanças legislativas favoráveis ao Banco Master, especialmente em relação à chamada “emenda Master”, proposta que previa elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF.
Na avaliação da PF, a mudança beneficiaria diretamente produtos financeiros do banco, sobretudo CDBs oferecidos a investidores de alta renda. Investigadores afirmam que a proposta teria sido elaborada pelo próprio Banco Master e entregue ao senador já pronta para articulação política.
Relatórios da investigação indicam ainda que parte dos pagamentos suspeitos teria ocorrido por meio de transferências periódicas para empresas ligadas ao parlamentar. Outra linha investigativa envolve uma negociação empresarial considerada atípica pelos investigadores: a compra de participação em uma companhia ligada ao grupo Master por valor supostamente abaixo do preço real de mercado.
A suspeita é que a operação empresarial tenha sido utilizada para mascarar pagamentos indevidos.
Valor pode chegar a R$ 18 milhões
De acordo com fontes ligadas à investigação, a PF trabalha com a hipótese de que os repasses mensais tenham alcançado até R$ 500 mil por mês. Considerando o período analisado, os pagamentos poderiam ter chegado a cerca de R$ 18 milhões.
Os investigadores tentam agora rastrear a origem dos recursos, identificar intermediários financeiros e verificar se houve ocultação patrimonial ou lavagem de dinheiro.
Prisão de Felipe Vorcaro
Durante a operação, a Polícia Federal prendeu Felipe Vorcaro, primo do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo a investigação, Felipe teria participado diretamente da operacionalização dos pagamentos investigados e da movimentação financeira relacionada ao esquema.
A PF também apura o papel de outros empresários e operadores financeiros que teriam atuado na estruturação das transações suspeitas.
Banco Master no centro da investigação
O Banco Master já vinha sendo monitorado por órgãos de controle em outras frentes investigativas relacionadas a operações financeiras e atuação política. Agora, a instituição financeira passa a ocupar posição central em uma investigação de grande repercussão nacional envolvendo suposto lobby político e pagamento de vantagens indevidas.
Fontes da investigação afirmam que documentos, mensagens, contratos e registros bancários apreendidos nesta nova fase da operação poderão ampliar o alcance das apurações e revelar novos envolvidos.
Defesa ainda não se manifestou
Até o momento da publicação desta reportagem, a defesa de Ciro Nogueira não havia se pronunciado oficialmente sobre as acusações. O Banco Master e os demais investigados citados também não divulgaram posicionamento público.
A Polícia Federal reforça que a investigação ainda está em andamento e que os fatos apurados até aqui representam suspeitas que serão analisadas pela Justiça. Não há condenação contra os investigados neste momento.
Operação Compliance Zero
A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político envolvendo empresários, agentes públicos e operadores financeiros.
Esta nova fase é considerada uma das mais sensíveis da investigação até agora, especialmente pelo envolvimento de um senador da República e pela possível conexão entre interesses do sistema financeiro e atuação parlamentar dentro do Congresso Nacional.
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