PF cita mensagens sobre viagens, restaurantes e despesas ligadas ao senador e ao empresário do Caso Master
A Polícia Federal revelou novos detalhes da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Entre os elementos analisados pela PF estão mensagens interceptadas que indicam o custeio de despesas pessoais do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e de pessoas próximas por parte do ex-controlador da instituição financeira.
Os diálogos, citados em decisões judiciais analisadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mostram conversas sobre pagamentos de restaurantes, viagens internacionais e uso de cartão de crédito relacionado a Daniel Vorcaro. O material foi obtido pela Polícia Federal a partir da perícia em aparelhos eletrônicos apreendidos durante as investigações.
Segundo os investigadores, as mensagens reforçam a suspeita de uma relação financeira próxima entre o empresário e o senador, indo além de uma simples amizade pessoal.
Mensagens sobre restaurantes e viagem internacional
Um dos trechos destacados pela investigação envolve uma conversa entre Daniel Vorcaro e um interlocutor identificado como Léo Serrano. Na troca de mensagens, Serrano pergunta se deveria continuar pagando contas de restaurantes relacionadas a “Ciro/Flávia” até determinado dia.
Vorcaro responde positivamente e, em seguida, afirma: “Depois leva meu cartão para St. Barths”, referência à ilha caribenha conhecida pelo turismo de luxo frequentado por empresários, celebridades e figuras políticas internacionais.
Para a Polícia Federal, a conversa indica autorização direta para utilização de recursos financeiros e cartões ligados ao empresário em benefício do senador e de sua companheira.
PF aponta padrão de benefícios e despesas pessoais
As investigações apontam que os benefícios não teriam se limitado a episódios isolados. Segundo a PF, há indícios de um padrão recorrente de custeio de despesas pessoais de Ciro Nogueira envolvendo viagens, hospedagens em hotéis de alto padrão, restaurantes, voos em aeronaves particulares e deslocamentos em helicópteros.
Relatórios da investigação mencionam viagens nacionais e internacionais, inclusive aos Estados Unidos, além de registros de encontros entre Daniel Vorcaro e o senador em diferentes ocasiões.
A PF também apura se parte dessas despesas estaria relacionada a vantagens indevidas associadas a interesses políticos e econômicos ligados ao Banco Master.
Relação próxima entre Vorcaro e Ciro Nogueira
As mensagens analisadas pelos investigadores mostram um relacionamento de forte proximidade entre os envolvidos. Em uma das conversas citadas no relatório policial, Daniel Vorcaro se refere a Ciro Nogueira como “grande amigo de vida”.
Além disso, a investigação encontrou diálogos sobre pagamentos recorrentes destinados a uma pessoa identificada apenas como “Ciro”, além de trocas de mensagens envolvendo temas legislativos considerados estratégicos para o Banco Master.
Segundo a PF, os elementos encontrados indicam possível alinhamento entre interesses políticos e empresariais.
Emenda sobre Fundo Garantidor de Crédito entrou na investigação
Outro ponto considerado central pelos investigadores envolve uma emenda apresentada por Ciro Nogueira relacionada ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A proposta ampliava a cobertura do fundo de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
De acordo com a investigação, assessores ligados ao Banco Master teriam participado da elaboração do texto da emenda. Mensagens encontradas no celular de Vorcaro mostram o empresário comemorando a iniciativa e acompanhando a tramitação da proposta.
A Polícia Federal avalia se houve favorecimento institucional ao banco por meio da atuação política do senador.
Defesa nega irregularidades
Ciro Nogueira e sua defesa negam qualquer irregularidade. O senador afirma que possui relação de amizade com Daniel Vorcaro, mas rejeita as conclusões apresentadas pela Polícia Federal.
Os advogados sustentam que as interpretações feitas pela investigação são equivocadas e afirmam que não houve recebimento ilegal de vantagens ou favorecimento político ao Banco Master.
Até o momento, Ciro Nogueira não foi preso. A operação teve foco em mandados de busca, apreensão e coleta de provas para aprofundamento das investigações.
Caso segue em apuração no STF
A Operação Compliance Zero segue sob supervisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A PF continua analisando documentos, movimentações financeiras, mensagens e materiais apreendidos durante a investigação.
O caso ganhou enorme repercussão política em Brasília por envolver um dos principais líderes do Centrão e ex-ministro da Casa Civil. Apesar das suspeitas apresentadas pela Polícia Federal, os investigados não foram condenados e seguem tendo direito à ampla defesa e ao contraditório.
As investigações continuam em andamento e novos desdobramentos podem ocorrer nos próximos dias.
Foto: Divulgação