Operação da PF cumpre mandados em nova fase do Caso Master e atinge senador Ciro Nogueira em investigação sobre supostas fraudes e influência política
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (7) a quinta fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura um esquema de fraudes financeiras e corrupção envolvendo o Banco Master, em um dos desdobramentos mais sensíveis do chamado Caso Master. Entre os alvos das medidas autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal está o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas e uma das principais lideranças do Centrão no Congresso Nacional.
A operação representa uma escalada significativa nas apurações conduzidas pela PF ao longo dos últimos meses. Até então, o nome de Ciro aparecia em documentos, mensagens e relatórios de inteligência ligados ao caso, mas sem que houvesse medidas formais direcionadas contra ele. Com a nova fase, o senador passa a integrar oficialmente a lista de investigados atingidos por mandados judiciais relacionados ao esquema.
Ao todo, a Polícia Federal cumpre 10 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária em quatro unidades da federação: Piauí, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. O alvo da prisão é Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que já se encontra preso em decorrência de fases anteriores da investigação.
As ordens judiciais foram expedidas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, em razão da presença de autoridades com foro privilegiado entre os investigados. Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de bens, direitos e valores que ultrapassam R$ 18 milhões.
Segundo investigadores, a nova etapa aprofunda suspeitas sobre a existência de uma rede de favorecimento político, financeiro e institucional que teria atuado para beneficiar interesses do Banco Master por meio de influência em órgãos públicos, operações financeiras e articulações no Congresso Nacional.
O nome de Ciro Nogueira vinha sendo citado em relatórios da PF desde março deste ano, quando vieram à tona mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro nas quais o empresário se referia ao senador como “grande amigo”. As investigações também passaram a analisar uma emenda parlamentar apresentada pelo congressista — apelidada nos bastidores de “Emenda Master” — que teria potencial para beneficiar diretamente o banco em determinadas operações financeiras e regulatórias.
Mensagens obtidas pela investigação indicariam que Vorcaro comemorou a tramitação da proposta, enxergando nela uma vantagem estratégica para a instituição financeira. A PF também investigava a frequência de contatos entre os envolvidos e possíveis articulações políticas ligadas ao avanço de interesses do grupo.
Apesar das suspeitas já documentadas em relatórios anteriores, até esta quinta-feira não havia confirmação de abertura formal de inquérito específico contra o senador. A avaliação dos investigadores, porém, era de que havia necessidade de aprofundar a coleta de provas antes de eventual indiciamento ou denúncia.
A nova fase da operação pode ampliar a pressão política sobre o Progressistas e sobre aliados do governo e da oposição que mantêm relação próxima com o senador. Ciro Nogueira é uma das figuras mais influentes do Congresso e exerceu papel central na articulação política durante o governo Jair Bolsonaro, além de manter forte influência em negociações parlamentares atuais.
Nos bastidores de Brasília, a operação já provoca repercussão imediata entre líderes partidários e integrantes do governo federal, especialmente pela dimensão política do caso e pela possibilidade de novos desdobramentos envolvendo parlamentares e empresários ligados ao sistema financeiro.
Até o momento, a defesa de Ciro Nogueira não havia divulgado posicionamento oficial sobre as medidas desta quinta-feira. Em declarações anteriores relacionadas ao Caso Master, o senador afirmou que renunciaria ao mandato caso fosse comprovado qualquer envolvimento dele em práticas ilícitas. Aliados próximos sustentam que ele deverá negar irregularidades e alegar perseguição política.
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção, gestão fraudulenta, tráfico de influência e utilização de estruturas financeiras para movimentações consideradas irregulares. O caso ganhou força após a prisão de Daniel Vorcaro e a apreensão de documentos e mensagens que passaram a conectar empresários, operadores financeiros e agentes políticos.
A expectativa agora é de que os materiais recolhidos nesta nova etapa — incluindo celulares, computadores, registros bancários e documentos — sirvam para aprofundar o rastreamento das relações entre o Banco Master e figuras do meio político nacional.
O avanço da investigação aumenta a tensão no cenário político em Brasília e pode gerar novos impactos no Congresso nas próximas semanas, dependendo do conteúdo das provas reunidas pela Polícia Federal.
Foto: Agência Senado