Áudio divulgado envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro intensifica debate político sobre financiamento privado do filme “Dark Horse”
Brasília, 13 de maio de 2026 – Um áudio divulgado nesta quarta-feira pelo The Intercept Brasil revela que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrou diretamente de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, o repasse de valores prometidos para a produção do longa-metragem “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A negociação, segundo os documentos obtidos pelo site, envolvia até US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões na cotação da época), com parte dos recursos – ao menos US$ 10,6 milhões – efetivamente repassados entre fevereiro e maio de 2025.
A gravação em questão, enviada em 8 de setembro de 2025, mostra Flávio em tom direto, mas cordial, alertando sobre os atrasos que poderiam comprometer o cronograma da produção, com equipe, diretor e ator já mobilizados. No áudio, o senador chama Vorcaro de “irmão” e reforça a parceria: “Estou e estarei contigo sempre”. Mensagens trocadas reforçam o tom de relação próxima e a expectativa natural de quem aguarda o cumprimento de um compromisso assumido para viabilizar um projeto cultural de grande porte.
Importante destacar: *a conversa ocorreu meses antes da deflagração da Operação Compliance Zero*, que levou à prisão de Vorcaro em novembro de 2025. Não há, até o momento, qualquer indício de que a cobrança configure crime. Cobrar valores prometidos em uma negociação privada é prática legítima e corriqueira no meio empresarial e cultural, tratada como questão civil. Não foram relatadas ameaças, coação ou qualquer conduta que escape ao âmbito de uma normal gestão de compromissos contratuais.
O filme “Dark Horse”, dirigido por Cyrus Nowrasteh e com roteiro de Mário Frias, é um projeto internacional que busca retratar a trajetória de Jair Bolsonaro, especialmente o contexto da campanha de 2018. Para seus defensores, trata-se de iniciativa privada destinada a contar uma versão da história recente do país, financiada por recursos de investidores interessados no conteúdo.
Flávio Bolsonaro, ao ser questionado sobre o tema mais cedo nesta quarta, negou conhecimento de irregularidades e classificou como “mentira” a associação direta com recursos ilícitos, reforçando que se trata de “dinheiro privado”. Aliados do senador veem na divulgação seletiva do material mais um capítulo de tentativas de associar membros da família Bolsonaro a investigações em andamento, mesmo quando as tratativas ocorreram em contexto anterior e sem elementos penais evidentes.
Até o fechamento desta reportagem, não há manifestação formal da defesa de Flávio Bolsonaro sobre o áudio específico, mas o entorno do senador avalia que a cobrança reflete apenas a preocupação com a continuidade de um projeto relevante, sem qualquer relação com os fatos investigados na Operação Compliance Zero, que envolvem supostas irregularidades na gestão do Banco Master.
O caso reforça o debate sobre o financiamento da cultura no Brasil e a naturalidade de negociações entre empresários e produtores de conteúdo, especialmente em produções de viés conservador que muitas vezes enfrentam dificuldades de captação junto a fontes tradicionais.
Até o momento, não se configura qualquer crime na conduta atribuída ao senador Flávio Bolsonaro.
Foto: Metrópoles