PARTIDO DOS TRABALHADORES SEGUE SEM ASSINAR CPMI DO BANCO MASTER E IRRITA ATÉ ALIADOS.

REDAÇÃO

Base governista mantém resistência em aderir aos principais requerimentos de investigação sobre o Banco Master, ampliando críticas e desgaste político no Congresso.

O PT e os partidos da base do governo Lula continuam sem aderir formalmente aos principais requerimentos de CPMI do Banco Master que tramitam no Congresso Nacional, mesmo diante da crescente pressão política e das novas denúncias envolvendo a instituição financeira. A situação voltou ao centro do debate político em maio de 2026, quando o senador Carlos Viana, autor de um dos pedidos mais recentes de investigação, declarou publicamente que nenhum parlamentar ligado ao governo havia assinado o requerimento até então, apesar de já estar em coleta de assinaturas há dois dias. A fala foi interpretada como um desafio direto à base governista, cobrando coerência entre o discurso público em defesa da transparência e a ausência de apoio formal aos pedidos apresentados pela oposição.
O episódio ocorre após meses de articulações em torno de diferentes propostas de investigação sobre o Banco Master, incluindo CPIs no Senado e pedidos de CPMI envolvendo Câmara e Senado. Alguns desses requerimentos já alcançaram o número mínimo de assinaturas necessário para serem protocolados, mas seguem parados por falta de instalação oficial. A decisão final depende do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, que vem resistindo ao avanço das comissões, alimentando críticas tanto da oposição quanto de setores independentes.
Dentro do PT, a condução do tema passou a gerar desconforto político. No início de maio, o presidente nacional da legenda, Edinho Silva, reconheceu publicamente que o partido cometeu um erro estratégico ao não assinar o requerimento inicial apresentado pela oposição, liderada pelo deputado Carlos Jordy, do PL. Apesar da autocrítica, o PT preferiu apresentar uma proposta própria de investigação, articulada pelo senador Rogério Carvalho, sem aderir aos textos já em tramitação. A decisão foi interpretada por adversários como uma tentativa de controlar politicamente os rumos da investigação sem fortalecer iniciativas da oposição.
Nos bastidores, parlamentares governistas alegam que havia receio de transformar a CPMI em um instrumento de disputa política eleitoral, especialmente diante do envolvimento de nomes ligados ao bolsonarismo nas denúncias mais recentes. Ainda assim, a ausência de assinaturas da base em pedidos já existentes passou a gerar desgaste público para o governo, principalmente após novas revelações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e supostas conexões com o senador Flávio Bolsonaro.
Em requerimentos anteriores apresentados entre o fim de 2025 e o início de 2026, a adesão do PT foi praticamente inexistente. A única exceção relevante foi a assinatura isolada do senador Fabiano Contarato, do Espírito Santo. A maioria esmagadora dos apoios veio de parlamentares da oposição e de integrantes do Centrão, o que reforçou a narrativa de que o governo tentava evitar uma investigação mais ampla sobre o caso.
Apesar da pressão crescente, a CPMI do Banco Master ainda não foi oficialmente instalada. O cenário atual mostra um governo dividido entre defender publicamente apuração e, ao mesmo tempo, evitar aderir aos principais requerimentos liderados pela oposição. Com isso, o tema segue alimentando embates políticos em Brasília e ampliando o desgaste entre governo e oposição em torno da pauta da transparência e da investigação parlamentar.
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