DANIEL VORCARO RESISTE EM ENTREGAR TUDO: DELAÇÃO INSUFICIENTE EXPÕE JOGO DE ESCONDE-ESCONDE.

REDAÇÃO

Primeira proposta de colaboração de ex-controlador do Banco Master teria sido considerada insuficiente por investigadores

Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master, segue jogando o velho jogo brasileiro de delação premiada seletiva e maquiada, dois meses após assinar termo de confidencialidade.
Pressionado pelo avanço das investigações e pela disposição de outros envolvidos em entregar mais conteúdo, Vorcaro tem tido dificuldade para convencer a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República de que realmente pretende cooperar de forma plena.
Sua primeira proposta, entregue em 5 de maio, foi considerada insuficiente pelas autoridades, que possuem farto material extraído dos celulares do próprio banqueiro, de seu cunhado Fabiano Zettel e do operador Phillipi Mourão, o “Sicário”.
Notadamente, o delator omitiu fatos graves, como a suposta mesada de até R$ 500 mil paga ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), o que reforça a percepção de que Vorcaro tenta negociar benefícios penais enquanto ainda protege aliados poderosos e esconde o núcleo central do esquema.
Essa resistência em entregar tudo o que sabe expõe, mais uma vez, a dificuldade de se obter colaboração genuína em casos de grande corrupção no Brasil, onde réus ricos e bem conectados tentam até o último minuto transformar delação em exercício de marketing jurídico em vez de instrumento real de busca pela verdade.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação