LULA PERDE PARA UM SENADOR EM ARTICULAÇÃO NOS EUA E EXPÕE QUE NÃO HOUVE QUÍMICA NENHUMA COM TRUMP

REDAÇÃO

Classificação do PCC e CV pelos EUA amplia embate político entre Lula e oposição ligada a Flávio Bolsonaro

A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras provocou forte repercussão política no Brasil e ampliou o desgaste do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no cenário internacional. O anúncio ocorreu após reunião entre representantes ligados ao governo Donald Trump e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), episódio que passou a ser explorado pela oposição como demonstração de perda de influência diplomática do atual governo brasileiro.
Nos bastidores de Brasília, aliados de Jair Bolsonaro afirmam que a medida evidencia que Lula não conseguiu estabelecer “química nenhuma” com Trump, mesmo após tentativas do Planalto de evitar uma escalada diplomática envolvendo o tema da segurança pública e do crime organizado no Brasil.
A avaliação de integrantes da oposição é que uma única reunião de Flávio Bolsonaro com interlocutores próximos da Casa Branca teve mais impacto prático do que os esforços diplomáticos do governo brasileiro para impedir a classificação das facções como grupos terroristas.
O governo Lula vinha tratando o tema com cautela por entender que a legislação brasileira não permite enquadrar PCC e CV como organizações terroristas, já que a Lei Antiterrorismo exige motivação política, ideológica ou religiosa. Mesmo assim, a decisão americana acabou sendo interpretada por adversários políticos como um sinal de enfraquecimento da influência internacional do presidente brasileiro.
A classificação anunciada pelos EUA permite aplicação de sanções financeiras internacionais, bloqueio de bens, ampliação da cooperação de inteligência e punições mais severas para pessoas e empresas suspeitas de ligação com as facções criminosas.
No Congresso, parlamentares da oposição aproveitaram o episódio para aumentar críticas à política de segurança pública do governo federal. Aliados de Bolsonaro afirmam que o Brasil estaria sendo pressionado internacionalmente por não endurecer suficientemente o combate ao crime organizado.
O fato de a medida ter sido anunciada após articulações envolvendo Flávio Bolsonaro também reforçou o discurso bolsonarista de proximidade com setores conservadores americanos ligados a Trump. Nos bastidores, integrantes da oposição avaliam que o episódio fortalece a imagem internacional do grupo político de Bolsonaro, enquanto expõe dificuldades de interlocução do governo Lula com a nova ala republicana dos Estados Unidos.
Apesar da repercussão, o Palácio do Planalto evita confronto direto com Washington e tenta minimizar o impacto diplomático da decisão. Auxiliares de Lula avaliam que transformar o tema em embate político pode agravar ainda mais a relação entre os dois países em um momento delicado das negociações internacionais.
Mesmo assim, a decisão dos EUA acabou alimentando o discurso de adversários do governo de que Lula perdeu espaço político no cenário internacional e não conseguiu criar qualquer sintonia com Donald Trump, hoje novamente no centro das articulações políticas americanas.
Foto: PR / White House