Argentina lidera aliança regional contra o crime organizado e Brasil fica isolado fora do acordo sul-americano
Em mais um capítulo lamentável da política externa do governo Lula, o Brasil ficou oficialmente de fora da nova aliança sul-americana contra o crime organizado, anunciada nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026. Ministros de Argentina, Chile, Bolívia, Equador e Peru se reuniram no Chile e firmaram o que vem sendo chamado de Compromisso Regional de Santiago — um plano concreto de cooperação em inteligência, combate ao narcotráfico, tráfico de armas, lavagem de dinheiro e controle migratório de criminosos.
Enquanto Javier Milei e os demais líderes da região decidem agir de forma unida e pragmática diante do avanço das facções transnacionais — especialmente a venezuelana Tren de Aragua e o PCC —, o governo brasileiro mais uma vez preferiu ficar de lado. Em vez de integrar uma frente regional forte, o Planalto anunciou seu próprio “Programa Brasil Contra o Crime Organizado”, cheio de promessas e eixos bonitos no papel, mas sem a integração necessária com os vizinhos que mais sofrem com o mesmo problema.
Essa ausência não é um detalhe diplomático. É um sintoma grave. O crime organizado não respeita fronteiras, ideologias nem soberania retórica. As mesmas quadrilhas que atuam no Equador e no Peru atravessam o Brasil com facilidade, especialmente na tríplice fronteira e na Amazônia. Enquanto Argentina e Chile endurecem o discurso e a ação, o governo Lula insiste em uma abordagem que prioriza o multilateralismo ideológico e o alinhamento com certos governos de esquerda, mesmo quando os resultados são visivelmente pífios.
É impressionante a contradição. Durante anos, o PT criticou a “falta de integração sul-americana”. Agora, quando surge uma oportunidade real de integração prática contra um inimigo comum, o Brasil simplesmente não comparece. Prioriza-se a “soberania” e o “respeito às diferenças” em vez de proteger a população brasileira, que convive diariamente com a violência financiada por esses grupos.
O resultado prático dessa omissão é claro: o Brasil fica cada vez mais isolado em temas de segurança. Milei, com sua linha dura, consegue articular rapidamente um bloco de países dispostos a compartilhar informações e operações. O governo Lula, preso a dogmas antigos, prefere atuar sozinho ou em fóruns ineficazes como o Mercosul, onde a Venezuela e outros atores complicam ainda mais qualquer avanço real.
Enquanto isso, as facções brasileiras ganham força, dominam presídios, controlam rotas de drogas e expandem seu poder para países vizinhos. A população paga a conta com sangue: chacinas, assaltos, expansão do tráfico nas periferias e até o avanço do terror urbano que já assusta países como Equador.
O governo ainda tenta vender a narrativa de que “está fazendo sua parte”. Anúncios pomposos, discursos grandiloquentes e planos com nomes bonitos não substituem ação coordenada. A realidade das fronteiras porosas, da corrupção em órgãos de controle e da leniência com certas organizações grita o contrário.
A mensagem que fica para a região é perigosa: o Brasil, maior país da América do Sul, não está comprometido com uma luta séria contra o crime organizado transnacional. Isso enfraquece não só nossa segurança interna, como também nossa influência diplomática. Países que antes viam o Brasil como líder natural agora olham para Buenos Aires em busca de liderança prática.
É hora de o povo brasileiro cobrar. Segurança pública não pode ser refém de vaidades ideológicas nem de alinhamentos partidários ultrapassados. Enquanto o governo Lula posa de estadista global, as facções avançam e os vizinhos se organizam sem nós. O custo desse isolamento, infelizmente, será pago pelas famílias brasileiras que mais sofrem com a violência.
O Brasil merece uma política de segurança que coloque resultados acima de narrativas. Infelizmente, no atual governo, isso parece estar longe de ser prioridade.
Foto: White House