COM 80% DE APOIO ENTRE DETENTOS, LULA DEFENDE “NOSSOS CRIMINOSOS” CONTRA MARCO RUBIO

REDAÇÃO

Lula critica decisão dos EUA sobre facções criminosas e reação gera debate político após declaração sobre “nossos criminosos”

Brasília, 29 de maio de 2026 — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com irritação e um tom de propriedade à decisão dos Estados Unidos de classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. No mesmo dia, o histórico de forte apoio eleitoral de Lula entre detentos voltou a ser lembrado, destacando o contraste entre o eleitorado carcerário e a população que sofre com a violência dessas facções.
Durante evento em Sergipe, Lula afirmou estar “muito triste” com o anúncio feito pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. “Fiquei triste com a notícia de que o secretário dos Estados Unidos, um tal de Marco Rubio, disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção”, declarou o presidente. Ele reconheceu que as facções aterrorizam comunidades, periferias, famílias e bairros, mas enfatizou o combate interno e rejeitou qualquer ingerência externa, afirmando que o Brasil “não aceita ser tratado como moleque” ou “republiqueta”. Lula ainda cobrou a extradição de “terroristas brasileiros” supostamente abrigados nos EUA.
A expressão “nossos criminosos” gerou forte repercussão negativa, sendo interpretada por críticos como uma demonstração de proximidade inadequada ou leniência do governo petista com o crime organizado, em vez de um combate intransigente. A decisão americana, influenciada por articulações como a do senador Flávio Bolsonaro, permite medidas como congelamento de ativos e maior cooperação internacional contra as facções, conhecidas por narcotráfico, violência extrema e ramificações internacionais.
O episódio reacende questionamentos sobre a base eleitoral de Lula. Nas eleições de 2022, o presidente obteve cerca de 80% dos votos válidos nas seções eleitorais instaladas dentro de presídios e unidades prisionais do país. No primeiro turno, Lula recebeu aproximadamente 8.883 votos contra 1.740 de Bolsonaro nessas urnas, percentual que se repetiu de forma semelhante no segundo turno. Embora presos provisórios e em determinados regimes tenham direito ao voto por lei, o resultado expressivo contrasta com a realidade de milhões de brasileiros que convivem diariamente com o terror imposto por essas mesmas organizações.
Analistas e opositores veem na reação de Lula uma priorização da soberania retórica em detrimento de uma ação mais agressiva contra o crime organizado, que continua a dominar periferias e aterrorizar a população. Enquanto o governo destaca leis antifacção aprovadas, a classificação internacional expõe as limitações e possíveis omissões no enfrentamento a grupos que atuam como verdadeiros Estados paralelos dentro do Brasil.
A declaração de hoje reforça percepções de um mandatário mais preocupado em evitar críticas externas do que em eliminar definitivamente a ameaça que “nossos criminosos” representam para a sociedade brasileira.
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