Governo busca diálogo com os EUA após classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas
Brasília – Em mais um capítulo da crise diplomática e de segurança provocada pela escalada do crime organizado no Brasil, o governo Lula (PT) foi obrigado a despachar o ministro da Fazenda, Dario Durigan, para reuniões emergenciais com autoridades americanas. O motivo: a decisão do governo Donald Trump de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras, com efeitos a partir de 5 de junho de 2026. A medida americana, que inclui congelamento de ativos e sanções secundárias, expôs a fragilidade do Brasil no combate ao narcoterrorismo que há anos domina presídios, periferias e rotas internacionais de drogas. Em vez de celebrar a pressão externa que pode ajudar a sufocar financeiramente essas organizações que aterrorizam milhões de brasileiros, o Palácio do Planalto reagiu com irritação e retórica defensiva.
O próprio presidente Lula não poupou críticas aos Estados Unidos, declarando que o Brasil “não aceita ser tratado como moleque” nem como “republiqueta”. Em tom inflamado, Lula cobrou a extradição de foragidos brasileiros nos EUA e minimizou a gravidade das facções, comparando-as a algo distante do “terrorismo de Osama bin Laden”. A postura belicosa, porém, não esconde o pânico nos bastidores: o governo agora teme sanções que possam atingir bancos brasileiros, o sistema financeiro e até o PIX, ferramenta que revolucionou os pagamentos no país, mas que pode ser usada inadvertidamente por criminosos.
Dario Durigan admitiu publicamente o risco de “clarões” no PIX e impactos sobre instituições financeiras. O ministro, que viaja para Washington com a missão de mitigar danos, busca “diálogo” e “cooperação” após a decisão unilateral de Trump ter colocado o governo brasileiro na defensiva. Analistas veem na ação uma clara demonstração de fraqueza: após anos de políticas de segurança criticadas por serem lenientes com o crime organizado, o Planalto é forçado a mendigar entendimento em Washington para proteger a economia de consequências que ele próprio ajudou a criar pela omissão ou ineficiência no combate às facções.
Enquanto o PCC e o CV expandem sua influência internacional — atuando em vários estados americanos —, o governo Lula prioriza discursos de soberania e ataques a opositores. A ida de Durigan aos EUA revela, na prática, o reconhecimento tardio de que a falta de resultados concretos no combate ao crime organizado agora ameaça o bolso dos brasileiros e a estabilidade financeira do país. O episódio reforça a percepção de que, sob Lula, o Brasil perdeu protagonismo e virou refém de uma crise de segurança que já não pode ser tratada apenas como “assunto interno”. A pergunta que permanece é: quantos mais alertas internacionais serão necessários para que o governo adote medidas efetivas, em vez de reações diplomáticas emergenciais?
Foto: Agência Brasil