LULA QUER MANTER DIÁLOGO COM OS EUA E USAR O PIX PARA ATACAR FLÁVIO, MESMO SABENDO QUE SISTEMA NÃO VAI ACABAR

REDAÇÃO

Governo aposta na narrativa do Pix enquanto busca acordo comercial com os Estados Unidos e tenta vincular adversários às tensões com Washington.

Enquanto tenta negociar com os Estados Unidos para reduzir os impactos do tarifaço anunciado por Donald Trump, o governo Lula parece ter encontrado no Pix uma ferramenta de disputa política interna. A estratégia ficou evidente após declarações do secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, que associou as críticas ao sistema de pagamentos tanto a setores americanos quanto ao grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O problema é que o Pix não corre risco concreto de ser extinto. Mesmo assim, integrantes do governo insistem em transformar o tema em uma batalha política, buscando vincular adversários a uma suposta ameaça contra uma das maiores inovações financeiras já criadas pelo Banco Central.
A postura contrasta com a necessidade de concentrar esforços na negociação comercial com Washington. O próprio governo reconhece que as discussões sobre tarifas, a investigação comercial americana e outros temas diplomáticos seguem caminhos distintos. Ainda assim, o debate público acaba sendo direcionado para uma disputa de narrativas que rende dividendos políticos internos.
Nesse contexto, Flávio Bolsonaro virou alvo frequente. Apesar de o senador afirmar ter defendido interesses brasileiros em reuniões com aliados de Trump e pedido que medidas prejudiciais ao país fossem evitadas, integrantes do governo buscam associá-lo às tensões entre Brasília e Washington.
A estratégia pode funcionar politicamente junto à base governista, mas não altera os fatos centrais da crise. O desafio continua sendo evitar prejuízos para exportadores brasileiros e preservar empregos diante das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos. Transformar o Pix em símbolo de uma guerra política talvez gere manchetes, mas dificilmente contribuirá para resolver o problema econômico que está na mesa de negociação.
Foto: PR