Planalto reconhece dificuldade para viabilizar encontro bilateral em meio a impasse comercial e novas tarifas dos Estados Unidos
Paris – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcará na cúpula do G7, que começa na próxima segunda-feira na França, sem qualquer reunião bilateral confirmada com o presidente americano Donald Trump. A avaliação partiu do próprio governo brasileiro nesta quarta-feira, quando o ministro Márcio Elias Rosa admitiu que o encontro é “pouco provável”.
Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, a delegação brasileira será pequena, o que tornaria inviável organizar uma reunião de alto nível. A declaração expõe o isolamento diplomático de Lula diante de um dos principais desafios econômicos do momento: as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que podem chegar a 37,5% em diversos setores.
O Planalto havia depositado expectativas claras no G7 para tentar reverter ou ao menos amenizar as medidas protecionistas americanas. Lula decidiu participar da cúpula justamente após o anúncio das tarifas, mas a ausência de agenda bilateral com Trump sinaliza que o governo brasileiro não conseguiu construir pontes suficientes com a administração republicana.
Fontes do governo indicam que as negociações agora ficam restritas a canais secundários, entre ministros e representantes americanos, sem a força política que um encontro direto entre os dois presidentes poderia oferecer. A frustração nos bastidores é evidente: o que era vendido como oportunidade de diálogo de alto nível se transforma em mais um evento internacional em que o Brasil ocupa posição periférica.
A dificuldade de Lula em se aproximar de Trump contrasta com a relevância comercial entre os dois países e reforça a percepção de que a política externa do governo brasileiro tem encontrado obstáculos crescentes na atual configuração global. Até o momento, não há indícios de que a cúpula traga qualquer avanço concreto para aliviar a pressão tarifária sobre a economia nacional.
Foto: White House