Delação atribuída ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro relata supostas conexões entre operações de crédito consignado, decisões administrativas e figuras políticas da Bahia, levantando questionamentos sobre a relação entre poder público e setor financeiro.
Em delação, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro detalha como um negócio iniciado em 2007, na gestão Jaques Wagner, com o programa Cesta do Povo, herança problemática de supermercados estatais deficitários, evoluiu para o CredCesta, transformado em uma das principais linhas de crédito consignado do estado, com descontos automáticos em folha de servidores públicos.
Sob o governo Rui Costa, o modelo ganhou força com a entrada de Vorcaro e seu sócio, e um decreto de 2022 reforçou a exclusividade ao restringir a portabilidade das dívidas, aprisionando mutuários a juros elevados do rotativo e impedindo migração para condições mais favoráveis, em meio a milhares de processos judiciais por endividamento excessivo.
Essa operação, que teria rendido milhões a empresários próximos do PT, levanta questionamentos graves sobre favorecimento estatal, conflito de interesses e o uso de mecanismos públicos para concentrar lucros privados em detrimento dos servidores baianos, expondo mais uma vez a proximidade perigosa entre poder político e finanças no modelo petista na Bahia.
Texto: Rodolfo Oliveira
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