LULA DIZ QUE NÃO É ESQUERDISTA. AGORA PT PREPARA DISCURSO: “JAQUES NÃO É LULA”

REDAÇÃO

Partido busca desvincular presidente das investigações envolvendo o líder do governo no senado e aposta na individualização das acusações para conter desgaste político

Em mais um capítulo de sucessivas tentativas de blindagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a cúpula do PT prepara um discurso padronizado para separar o mandatário das investigações que agora envolvem o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado. A legenda adotará a linha de que “Lula não é Jaques”, individualizando as denúncias contra o aliado para evitar qualquer contaminação direta à imagem do presidente.
A estratégia repete um padrão já conhecido do partido: quando aliados próximos são citados em operações policiais, o PT corre para criar uma narrativa de que os problemas são pontuais e pessoais, jamais políticos ou vinculados ao núcleo duro do poder. No caso atual, a ideia é que Lula mantenha o tom de quem defende que as investigações “sigam até o fim”, enquanto o partido concede voto de confiança a Wagner e trata o assunto como um caso isolado.
O movimento ganha contornos ainda mais questionáveis após Lula ter declarado recentemente que não se considera esquerdista. A declaração soou como um primeiro passo de distanciamento de rótulos ideológicos que poderiam cobrar-lhe coerência. Agora, o PT avança para o segundo ato: afastar o presidente também das figuras do próprio governo quando estas se tornam incômodas.
Críticos veem na manobra mais um sinal de pragmatismo excessivo e falta de lealdade com aliados que, até então, eram tratados como fiéis escudeiros. Em vez de defender o conjunto do projeto político, o partido opta por sacrificar nomes específicos para proteger o principal ativo eleitoral: a figura de Lula. A tática de “não sou eu, não é ele, é o outro” revela uma legenda mais preocupada com a sobrevivência do poder do que com a consistência de seus princípios ou a defesa transparente de seus quadros.
Enquanto a Polícia Federal avança nas investigações envolvendo o grupo Master e relações com Jaques Wagner, o PT segue afinando o manual de defesa. Resta saber até quando esse jogo de distanciamentos sucessivos conseguirá manter intacta a imagem de um presidente que insiste em se apresentar como alheio aos problemas que surgem à sua volta.
Foto: PR