Brasília – O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, voltou a ser alvo de questionamentos após a Polícia Federal revelar indícios de que empresas ligadas à sua família receberam pagamentos milionários do Banco Master, instituição no centro de um escândalo de fraudes investigado pela Operação Compliance Zero.
De acordo com documentos da PF, a empresa BK Financeira ou BN Financeira, associada à nora do senador, Bonnie de Bonilha – casada com o enteado Eduardo Sodré, secretário de Meio Ambiente da Bahia –, teria sido beneficiada com contratos de prospecção de crédito consignado junto ao banco. Os valores citados em relatórios da investigação chegam a dezenas de milhões de reais, incluindo cobranças de “boletos altos” que geraram mensagens de cobrança explícitas, como “Amanhã vence os boletos”, direcionadas a gestores da instituição.
A proximidade familiar com o senador, um dos mais influentes do PT, levanta suspeitas de possível uso de influência política para favorecer negócios da família, mesmo que Wagner negue qualquer participação direta ou intermediação. O parlamentar tem reagido com irritação às reportagens, ameaçando processar veículos de imprensa como a revista Veja que expuseram os fatos. Críticos veem na atitude uma tentativa de intimidar a imprensa em vez de prestar esclarecimentos completos à sociedade.
Wagner afirma estar “tranquilo” e oferece sigilo bancário e fiscal para apuração, mas o caso ganha contornos ainda mais delicados porque ocorre em meio à liquidação do Banco Master pelo Banco Central e às investigações sobre fraudes bilionárias nas carteiras de crédito. O enteado Eduardo Sodré e a nora Bonnie de Bonilha aparecem no radar da PF justamente por esses repasses, o que coloca o senador no centro de um desconfortável conflito de interesses.
A revelação alimenta críticas de que Wagner, figura histórica do PT baiano, estaria mais preocupado em silenciar a imprensa do que em explicar como uma empresa da família obteve tanto volume de recursos de um banco agora sob forte suspeita. Enquanto a Polícia Federal avança nas apurações, o caso reforça percepções de que o poder político continua servindo de atalho para negócios privados, mesmo sob um governo que se diz comprometido com a ética pública.
A investigação segue em curso e novos desdobramentos devem surgir nas próximas semanas.
Foto: Agência Senado