RUMBLE E TRUMP MEDIA PEDEM JULGAMENTO À REVELIA DE ALEXANDRE DE MORAES NOS EUA

REDAÇÃO

Plataformas alegam que ministro do STF não apresentou defesa dentro do prazo fixado pela justiça americana em ação sobre liberdade de expressão

Washington/Flórida– As plataformas Rumble e Trump Media & Technology Group (TMTG) deram mais um passo significativo na ação judicial movida contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, nos Estados Unidos. Nesta quinta-feira (18), as empresas solicitaram à Justiça Federal da Flórida que o magistrado seja declarado revel, por não ter apresentado defesa dentro do prazo legal.
De acordo com petição protocolada no processo (caso 8:25-cv-00411), Moraes foi devidamente citado por e-mail – método autorizado pelo tribunal americano após tentativas infrutíferas de notificação pelos canais diplomáticos convencionais. O prazo para manifestação expirou em 15 de junho sem qualquer resposta do ministro.
A ação, iniciada em fevereiro de 2025, acusa o ministro de impor ordens de censura que afetam diretamente usuários e plataformas sediadas nos Estados Unidos. As empresas argumentam que as decisões de Moraes extrapolam a jurisdição brasileira, determinando a suspensão de contas e conteúdos de críticos do governo Lula, incluindo parlamentares, jornalistas e influenciadores conservadores, com impacto no território americano – o que violaria a Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que protege a liberdade de expressão.
Críticos de Moraes veem o caso como mais um exemplo de ativismo judicial excessivo e de tentativas de controle de narrativas políticas para além das fronteiras nacionais. A Rumble chegou a ter seu acesso bloqueado no Brasil após resistir a ordens semelhantes, reforçando o embate entre soberania digital e princípios liberais de livre debate.
A Advocacia-Geral da União (AGU) acompanha o processo e já manifestou interesse em intervir, defendendo que as decisões de Moraes gozam de imunidade de jurisdição por serem atos de autoridade judicial. No entanto, para os autores da ação, a falta de resposta do ministro até o momento reforça questionamentos sobre transparência e accountability.
O desfecho do pedido de revelia ainda depende de decisão da juíza americana Mary Scriven. Se deferido, o caso pode avançar sem a participação ativa de Moraes, abrindo caminho para uma eventual declaração de que suas ordens são ineficazes em solo americano.
Este episódio intensifica o debate internacional sobre limites do poder judiciário, liberdade de expressão e o crescente conflito entre governos e plataformas de tecnologia. Acompanhe as atualizações.
Foto: Agência Brasil