PF REAGE A CRÍTICAS DE FLÁVIO BOLSONARO APÓS SENADOR DISPENSAR PROTEÇÃO FEDERAL NA CAMPANHA

REDAÇÃO

Recusa da escolta oferecida pela Polícia Federal gerou desconforto interno na corporação após declarações do senador sobre falta de confiança na instituição durante o período eleitoral.

A decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de recusar a escolta oferecida pela Polícia Federal durante a campanha presidencial provocou forte repercussão dentro da corporação e abriu um novo capítulo de tensão entre o grupo político do parlamentar e a instituição federal.
A medida chamou atenção porque a PF havia estruturado uma operação especial de segurança para candidatos à Presidência da República, envolvendo agentes especializados, equipamentos de proteção e protocolos de inteligência voltados para prevenir riscos durante atos públicos e deslocamentos.
Nos bastidores, integrantes da Polícia Federal demonstraram incômodo com as declarações do senador, principalmente após Flávio afirmar que não confiava na atual direção da instituição e levantar a possibilidade de infiltração de agentes em sua campanha.
Embora a PF tenha adotado uma postura oficial de silêncio e evitado entrar em confronto político, membros da corporação avaliaram que as declarações colocam em dúvida a credibilidade de uma instituição de Estado que possui atuação técnica e independente.
A reação interna também envolveu preocupação com a possibilidade de que a recusa da escolta seja interpretada como uma tentativa de politizar a atuação da Polícia Federal, órgão responsável pela segurança de autoridades e por missões sensíveis em períodos eleitorais.
Agentes lembraram que a proteção oferecida pela PF segue protocolos de segurança e não está vinculada a interesses partidários, mas sim à avaliação de riscos e à preservação da integridade física dos candidatos.
A decisão de Flávio Bolsonaro também gerou questionamentos entre aliados do próprio campo político, que avaliam que abrir mão de uma estrutura federal de segurança pode aumentar a exposição do senador durante viagens, eventos públicos e agendas de campanha.
O episódio ganhou ainda mais repercussão devido ao histórico de violência política no Brasil, especialmente após o atentado sofrido por Jair Bolsonaro em 2018, quando a atuação da escolta federal foi considerada fundamental para garantir sua proteção.
Para setores da PF, críticas públicas à instituição podem afetar a confiança da população no trabalho dos agentes e criar uma narrativa de desconfiança sobre uma estrutura que atua na segurança de diferentes autoridades, independentemente de posição política.
O caso deve continuar gerando debates durante o período eleitoral, colocando em lados opostos a alegação de preocupação com segurança e privacidade da campanha e a defesa, por parte da PF, de que seus protocolos seguem critérios técnicos e institucionais.
Foto: o Globo