Consulta pública prevê contratação da termelétrica de Candiota por 15 anos, com custo estimado superior a R$ 12 bilhões e debate sobre impactos nas tarifas de energia e na política ambiental.
O governo Lula colocou em consulta pública uma proposta de contratação de energia da termelétrica de Candiota, no Rio Grande do Sul, controlada pela Âmbar Energia, empresa do grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
O contrato prevê a manutenção da usina em operação por 15 anos, até 2040, com valores estimados em R$ 859,7 milhões por ano. O montante total pode ultrapassar R$ 12 bilhões ao longo do período de contratação.
Segundo a proposta apresentada pelo Ministério de Minas e Energia, o preço da energia da usina seria de R$ 540,27 por megawatt-hora (MWh), valor cerca de 50,2% superior à média observada em leilões recentes para usinas movidas a carvão importado.
A diferença de preço levantou questionamentos no setor elétrico, já que o custo acima da média pode ser incorporado aos encargos do sistema e refletir na tarifa paga pelos consumidores de energia.
A contratação ocorre após uma mudança aprovada pelo Congresso Nacional no fim de 2024, que permitiu a continuidade de determinadas termelétricas a carvão mineral com contratos vigentes até 2040.
Embora a lei não cite diretamente a empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista, a usina de Candiota se enquadra nos critérios estabelecidos pelo dispositivo aprovado.
A decisão do governo de manter a contratação também gerou críticas de ambientalistas e especialistas, que defendem uma transição mais rápida para fontes renováveis e questionam a continuidade de uma matriz energética considerada mais cara e poluente.
A medida ainda causou debate dentro da própria agenda ambiental do governo, já que o país busca fortalecer compromissos de redução de combustíveis fósseis e ampliar sua imagem internacional na área climática.
O Ministério de Minas e Energia argumenta que a usina tem papel estratégico para garantir segurança energética e estabilidade no fornecimento de eletricidade, especialmente em momentos de maior demanda.
Até o momento, o governo não apresentou uma estimativa detalhada de quanto o contrato poderá representar na conta de luz dos consumidores, enquanto a J&F ainda não divulgou um posicionamento oficial sobre a proposta.
Foto: Folha – UOL