BOLÍVIA DETERMINA CAPTURA IMEDIATA DE EVO MORALES POR ACUSAÇÕES DE TERRORISMO E INSURREIÇÃO

REDAÇÃO

Ministério Público de Santa Cruz emite ordem de prisão contra o ex-presidente por supostos crimes ligados a protestos e bloqueios; defesa afirma que processo tem motivação política

A Procuradoria do departamento de Santa Cruz, na Bolívia, determinou a captura imediata do ex-presidente Evo Morales, segundo informações divulgadas por autoridades ligadas ao caso. A decisão aumenta a tensão política no país e abre uma nova frente de disputa envolvendo o antigo líder boliviano.
A ordem de prisão foi emitida pelo Ministério Público e estaria relacionada a uma investigação que acusa Morales de supostos crimes como terrorismo, insurreição armada contra a segurança do Estado, associação criminosa e atentados contra serviços públicos e meios de transporte.
Segundo a acusação, o processo tem origem em denúncias apresentadas pelo Comité Cívico Pro Santa Cruz e pelo Ministério do Governo. As autoridades afirmam que Morales teria papel central na organização de protestos e bloqueios de estradas que afetaram o país.
Os atos investigados ocorreram durante uma onda de mobilizações que, segundo o governo boliviano, buscavam pressionar pela saída do presidente Rodrigo Paz. O Ministério Público afirma que as ações provocaram impactos na circulação de pessoas, transporte e serviços essenciais.
Evo Morales, que governou a Bolívia entre 2006 e 2019, atualmente permanece na região do Trópico de Cochabamba, no Chapare. A área é considerada um de seus principais redutos políticos, com forte apoio de sindicatos e produtores de coca.
A presença de centenas de apoiadores ao redor do ex-presidente tem sido apontada como um dos fatores que dificultam uma ação policial imediata. As autoridades temem que uma tentativa de prisão possa gerar confrontos e aumentar a instabilidade no país.
O novo mandado se soma a outro processo judicial envolvendo Morales, no qual ele é investigado por supostos crimes relacionados a tráfico de pessoas e abuso sexual envolvendo uma menor de idade. Nesse caso, a Justiça boliviana já havia determinado medidas contra o ex-presidente.
A defesa de Evo Morales afirma que os processos contra ele possuem motivação política e que o ex-presidente é alvo de perseguição por sua influência dentro da política boliviana. Morales segue negando as acusações feitas pelas autoridades.
Com a nova ordem de captura, cresce a possibilidade de a Bolívia solicitar um mandado internacional caso considere que exista risco de fuga ou tentativa de saída do país. Uma eventual medida poderia envolver cooperação com organismos internacionais.
O caso aumenta a crise política entre os grupos aliados e opositores de Evo Morales, colocando novamente o ex-presidente no centro do debate nacional boliviano e podendo provocar novos desdobramentos judiciais e políticos nos próximos dias.
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