Coalizão de partidos de esquerda protocolou pedido para retirar Mendonça da relatoria, alegando suposta parcialidade na condução das investigações envolvendo o Banco Master e o caso Dark Horse
BRASÍLIA — Em um movimento lido nos bastidores como uma tentativa de blindar o ministro Alexandre de Moraes e conter o avanço de investigações sensíveis ao governo, uma coalizão de partidos de esquerda — composta por PT, PCdoB, PSOL e Rede — protocolou um pedido formal ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, exigindo o afastamento do ministro André Mendonça da relatoria do caso Banco Master e das investigações do caso Dark Horse.
A ofensiva jurídica, assinada por 17 deputados federais da base governista, alega uma suposta parcialidade de Mendonça na condução do inquérito. Os parlamentares acusam o relator de adotar um “tratamento seletivo” ao retirar o sigilo do relatório da Polícia Federal que expôs mensagens de Moraes, enquanto mantém sob reserva frentes que mencionam integrantes da oposição. O grupo também questiona uma agenda institucional mantida pelo magistrado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro em março de 2025 para justificar o pedido de suspeição.
Críticos da iniciativa apontam, contudo, que a articulação da esquerda busca criar uma cortina de fumaça sobre o teor das revelações que atingem o coração do tribunal. Ao tentar desqualificar a atuação de Mendonça, a base governista tenta esvaziar relatórios oficiais que detalham contratos milionários do escritório da esposa de Moraes com o banco investigado e o travamento de julgamentos de interesse da instituição financeira.
Além disso, interlocutores no Congresso apontam uma contradição no movimento: ao mesmo tempo em que a esquerda exige a remoção de Mendonça sob o argumento de buscar isonomia, parlamentares do PT atuam nos bastidores para acelerar o arquivamento das denúncias que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, cujo inquérito sobre a Dataprev a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu que seja enviado para a primeira instância.
Outro lado
Os deputados da bancada governista defendem que a petição visa unicamente garantir a lisura e a transparência das investigações. Segundo o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), a permanência de Mendonça na relatoria comprometeria a neutralidade do processo devido à proximidade política do ministro com a família Bolsonaro, alvo de outras ramificações do caso Master. O gabinete do ministro André Mendonça não se manifestou sobre a petição dos partidos, mas em notas anteriores reforçou que todas as suas decisões e audiências com partes envolvidas em processos seguiram estritamente os ritos legais e regimentais da Corte.
Foto: STF