Aliados defendem a convocação do Conselho da República para discutir a crise institucional após o afastamento de Andrei Rodrigues, mas o governo prefere buscar uma solução pelo diálogo e pela via judicial antes de ampliar o confronto com o STF.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia com cautela a possibilidade de convocar o Conselho da República após o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A sugestão de convocação do órgão partiu de aliados do governo, que defendem que a medida poderia ser utilizada para discutir a crise institucional envolvendo a Polícia Federal e a relação entre os Poderes.
Entre os defensores da ideia está o advogado Marco Aurélio de Carvalho, ligado à articulação jurídica do governo, que citou a possibilidade de uso do Conselho da República como instrumento de debate institucional.
Apesar da pressão de aliados, o Palácio do Planalto avalia que uma convocação neste momento precisa ser analisada com cuidado para evitar o aumento da tensão política.
A avaliação dentro do governo é que uma medida desse tamanho poderia gerar novos atritos com o Supremo Tribunal Federal e criar um ambiente ainda mais delicado entre as instituições.
Por isso, a prioridade de Lula neste momento seria buscar uma solução por meio do diálogo institucional e da articulação jurídica, antes de adotar medidas mais fortes.
A equipe do governo também trabalha na preparação de uma reação judicial, com possibilidade de questionar a decisão de afastamento dentro do próprio Supremo Tribunal Federal.
Mesmo considerando a decisão de Mendonça questionável, aliados orientam que o governo mantenha o cumprimento temporário da determinação enquanto tenta reverter a medida pela via judicial.
O Conselho da República é um órgão de consulta do presidente em situações consideradas de grande relevância institucional, com participação de autoridades dos três Poderes e representantes da sociedade.
Enquanto avalia os próximos passos, Lula tenta equilibrar a pressão de aliados por uma resposta mais firme com a necessidade de preservar a estabilidade entre o Executivo, o Judiciário e demais instituições.
Foto: O Globo