Em análise publicada em O Antagonista, Rodolfo Borges faz críticas à atuação de Flávio Dino no STF e afirma que o ministro ganhou protagonismo nos embates políticos e institucionais da Corte, comparando sua atuação à de Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.
A análise de Rodolfo Borges, publicada em O Antagonista, apresenta uma avaliação crítica sobre a atuação de Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal. Segundo o jornalista, em cerca de dois anos e meio na Corte, Dino teria adquirido protagonismo por sua postura de defesa do ativismo judicial e pela disposição em participar dos embates políticos e institucionais que envolvem o tribunal. A caracterização de Borges é uma opinião do autor, e não uma classificação oficial sobre o ministro.
Na sessão do STF de terça-feira (15), Dino voltou a ocupar posição central nas discussões. Após defender a reunião dos casos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça, o ministro pediu vista e interrompeu o julgamento. A Agência Brasil registrou que, sem o voto de Dino, o placar parcial ficou em 4 a 3 pela manutenção dos processos separados.
O episódio também foi marcado por críticas de Dino à condução dos trabalhos por Edson Fachin. Segundo relatos da sessão, o ministro classificou a condução como “desastrada” e questionou procedimentos adotados pela Presidência do Supremo. A controvérsia ocorreu em meio a uma sessão marcada por fortes divergências entre integrantes da Corte e bate-bocas entre ministros.
Outro episódio citado na análise envolve a Polícia Federal. No início de setembro, André Mendonça havia determinado o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, enquanto Dino posteriormente determinou sua reintegração. Edson Fachin acabou suspendendo as duas decisões, diante do conflito entre as determinações dos ministros, e levou a questão para discussão no plenário.
Borges também estabelece uma comparação entre Dino e outros ministros do Supremo, especialmente Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Na avaliação publicada pelo jornalista, Mendes teria desempenhado papel importante na transformação do ambiente político do tribunal, enquanto Moraes seria associado, em sua leitura, a uma atuação mais autoritária. Já Dino seria apresentado como alguém que reúne forte atuação política, disposição para o confronto e defesa explícita do ativismo judicial.
A análise, portanto, sustenta que Flávio Dino passou a ocupar um espaço de grande protagonismo nas disputas internas do STF e que sua atuação tem provocado críticas sobre os limites entre jurisdição, política e ativismo judicial. A sessão de 15 de setembro reforçou essa percepção ao colocar Dino no centro de uma decisão que envolvia diretamente Moraes, Mendonça e a própria condução dos trabalhos por Fachin.
Foto: Victor Piemonte/STF