“OPERAÇÃO SOCORRO”: LULA REFORÇA PRESENÇA EM SP NA ESPERANÇA DE SALVAR HADDAD DO FIASCO ANUNCIADO

REDAÇÃO

Presidente intensifica agenda em São Paulo e participa de atos ao lado de Fernando Haddad, Geraldo Alckmin, Simone Tebet e Marina Silva em meio às pesquisas que mostram Tarcísio de Freitas à frente na disputa pelo governo estadual

A estratégia do PT parece seguir o manual do “tudo ou nada”: depois de circular pelo interior e pela região metropolitana, Haddad agora concentra esforços na capital e arredores, com Lula como principal cartada. O problema é que Tarcísio não apenas lidera — ele dispara. A pesquisa Real Time Big Data mostra o atual governador com 57% das intenções de voto contra 38% do ex-ministro em um eventual segundo turno, além de uma aprovação de 64% entre os paulistas. Em outras palavras, o presidente chega como reforço de última hora para tentar impedir que a disputa vire um monólogo.
O embate entre Tarcísio e Haddad reedita o confronto de 2022 e, segundo analistas, pode até funcionar como um ensaio para 2030. Só que, desta vez, o petista parte de uma posição claramente atrás e com menos tempo de propaganda eleitoral: 2min39s contra os generosos 6min20s do adversário. Lula tenta compensar a diferença de munição com a força do cargo, mas o eleitorado paulista parece mais interessado em manter o atual governador do que em experimentar o retorno de um nome que já ocupou o Palácio dos Bandeirantes em tempos bem diferentes.
Na noite desta sexta-feira, o ato em Guarulhos marca o início oficial da “operação socorro”. Lula e Haddad ainda têm marcada uma segunda agenda para o dia 26 de setembro, provavelmente na zona sul da capital ou em Osasco. A ideia é transformar essas aparições em um empurrão final, como se bastasse a presença presidencial para inverter uma tendência que, até agora, aponta para uma vitória de Tarcísio já no primeiro turno. O problema é que as pesquisas não costumam mentir tanto assim perto do dia da eleição.
Haddad unificou a esquerda e montou uma coligação de sete partidos, mas o peso político de Lula ainda não foi suficiente para tirar o petista da zona de risco. Tarcísio, por sua vez, conta com a maior coligação, o apoio de Ricardo Nunes na capital e o endosso de Flávio Bolsonaro. O resultado é um cenário em que o atual governador parece jogar com o placar já a seu favor, enquanto o PT corre atrás do prejuízo com o presidente como principal peça de ataque.
No fim das contas, a intensificação da agenda de Lula em São Paulo soa menos como uma demonstração de força e mais como um reconhecimento tácito de que a campanha de Haddad precisa de um milagre de última hora. Com Tarcísio pontuando alto e a possibilidade real de vitória no primeiro turno cada vez mais concreta, o presidente tenta, com sorrisos e comícios, evitar que o fiasco se confirme. Resta saber se o eleitor paulista vai comprar a ideia ou se prefere manter o time que está ganhando.
Foto: Ricardo Stuckert