Presidente do TSE determina, em decisão liminar, a retirada de vídeo que associa Flávio e Eduardo Bolsonaro a suposto esquema de lavagem de dinheiro e proíbe novas republicações do conteúdo
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, determinou nesta terça-feira (22) que o Instagram remova, no prazo de 24 horas, um vídeo que associa o senador Flávio Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro a um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master. A decisão foi tomada de forma liminar após uma ação apresentada pelo Partido Liberal (PL).
A publicação questionada foi divulgada pelo perfil @lulapelaverdade e apresentava uma narrativa em formato de “dossiê”. O conteúdo relacionava investimentos realizados pelo Rioprevidência no Banco Master ao financiamento do filme Dark Horse, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
No vídeo, Flávio e Eduardo eram associados a um suposto esquema de lavagem de dinheiro. Ao analisar o pedido, Nunes Marques entendeu, em caráter preliminar, que a publicação ultrapassou os limites da crítica política ao atribuir aos parlamentares condutas criminosas graves sem comprovação factual mínima.
Além de determinar a retirada do conteúdo, o ministro proibiu novas republicações do mesmo material. A medida busca impedir que cópias ou versões modificadas do vídeo continuem circulando nas redes sociais durante o período eleitoral.
A decisão também determinou providências para identificar os responsáveis pela conta que publicou o conteúdo. A ordem judicial ocorre em meio à intensificação da disputa eleitoral e ao uso do caso Banco Master como tema no debate político.
A retirada do vídeo, entretanto, não significa que o TSE tenha declarado falsa qualquer informação que relacione Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro ou ao caso Banco Master. No início de setembro, o próprio Nunes Marques rejeitou um pedido para retirar outra propaganda que fazia essa associação, considerando que havia base factual para parte do conteúdo.
Essa outra peça utilizava, entre outros elementos, trechos de uma conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro sobre recursos destinados ao filme Dark Horse. Na ocasião, Nunes Marques entendeu, em análise liminar, que não havia “falsidade manifesta” que justificasse a retirada daquela propaganda.
Por isso, as duas situações precisam ser diferenciadas. Uma coisa é a existência de contatos e discussões envolvendo recursos para o filme; outra é afirmar como fato comprovado que Flávio ou Eduardo participaram de um esquema criminoso de lavagem de dinheiro.
No caso do vídeo retirado nesta terça-feira, o ponto central da decisão de Nunes Marques foi justamente a atribuição de crimes sem, segundo sua análise preliminar, comprovação factual mínima. Portanto, é mais preciso dizer que o TSE determinou a remoção de uma publicação que apresentava acusações consideradas insuficientemente comprovadas nessa análise inicial, e não que a Justiça declarou falsa toda e qualquer ligação mencionada entre Flávio Bolsonaro e o Banco Master.
A decisão é liminar e ainda não representa necessariamente o posicionamento definitivo da Justiça Eleitoral sobre o caso. O episódio ocorre em meio à disputa política de 2026 e a diferentes decisões do TSE envolvendo conteúdos publicados nas redes sociais, com cada caso sendo analisado de acordo com as alegações e provas apresentadas.
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