Terceira fase da operação cumpre mandados em sete estados e no Distrito Federal para investigar suposto esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis e possíveis vínculos financeiros com integrantes do PCC
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Receita Federal, deflagrou nesta quinta-feira (24) a terceira fase da Operação Carbono Oculto. A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao setor de combustíveis e suspeitas de vínculos financeiros com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A nova etapa da operação avançou sobre personagens do mercado financeiro e empresários investigados por suposta participação em estruturas utilizadas para movimentar e ocultar recursos. Os mandados de busca e apreensão são cumpridos em 32 endereços distribuídos por sete estados e pelo Distrito Federal.
Entre os alvos está Humberto Arthur Tupinambá Neto, diretor e sócio do Banco Genial. A investigação busca esclarecer a utilização de fundos de investimento administrados pela instituição em operações que, segundo os investigadores, podem ter sido empregadas para ocultar patrimônio e dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários dos recursos.
Também aparece entre os alvos o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, dono do Grupo Entre e apontado nas investigações como ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os investigadores procuram determinar qual teria sido sua participação nas operações financeiras examinadas pela força-tarefa.
Segundo a investigação, empresas relacionadas ao grupo de “Mineiro” teriam integrado estruturas utilizadas para a circulação de recursos entre diferentes companhias e fundos. A existência dessas movimentações está sob análise para determinar sua origem, finalidade e os beneficiários finais.
Outro eixo da operação envolve empresários investigados por atuação na chamada “máfia dos combustíveis”. Entre os nomes citados nas apurações estão Roberto Leme, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Mourad, chamado de “Primo”, apontados como personagens importantes do esquema investigado.
A força-tarefa identificou uma complexa cadeia de empresas, fundos e contas que teriam funcionado como intermediários financeiros. Segundo os investigadores, essas estruturas poderiam dificultar o rastreamento dos recursos e mascarar a relação entre o dinheiro movimentado e seus proprietários.
As autoridades também analisam operações envolvendo a Usina Itajobi e a distribuidora de combustíveis Terrana. A suspeita é de que diferentes empresas tenham sido utilizadas como “contas de passagem” em transações destinadas a dissimular a origem dos valores empregados em aquisições empresariais.
Além das operações no setor de combustíveis, a investigação alcança imóveis de alto valor e outros patrimônios que teriam sido adquiridos ou mantidos por meio das estruturas financeiras investigadas. Documentos, equipamentos eletrônicos e registros financeiros apreendidos nesta quinta-feira deverão passar por análise das autoridades.
A terceira fase da Carbono Oculto amplia, portanto, o alcance de uma investigação que procura reconstruir o caminho percorrido por grandes volumes de dinheiro entre o setor de combustíveis e o mercado financeiro. Os citados são alvos ou personagens de uma investigação em andamento, e as suspeitas levantadas pelas autoridades ainda dependem de apuração e eventual análise judicial para a definição de responsabilidades.
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