Campanha do candidato do PL prepara materiais sobre as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva e Marco Aurélio “Marcola”, enquanto o PT amplia ataques a Flávio Bolsonaro na reta final do primeiro turno
A campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta, na reta final do primeiro turno, uma ofensiva de adversários centrada nas investigações e acusações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A equipe do candidato Flávio Bolsonaro (PL) já vinha preparando materiais para levar o assunto à propaganda eleitoral e às redes sociais, em meio à intensificação dos ataques entre as duas principais campanhas presidenciais.
Uma das frentes planejadas pela campanha de Flávio envolve justamente as acusações relacionadas a Lulinha e a Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. A estratégia surgiu como reação à ofensiva da campanha petista, que passou a utilizar peças relacionando Flávio a controvérsias como o caso Banco Master.
Fábio Luís tornou-se alvo recorrente dos discursos do candidato do PL. Durante o ato de 7 de Setembro realizado na Avenida Paulista, por exemplo, Flávio voltou a mencionar publicamente as suspeitas envolvendo o filho do presidente e questionou quem estaria financiando sua permanência na Espanha.
Flávio também defendeu recentemente a divulgação de informações do inquérito envolvendo Lulinha. Ao comentar a retirada de sigilo de parte da investigação, o candidato do PL pediu que os documentos fossem tornados públicos, ampliando a pressão política sobre o presidente e sua família durante a campanha.
O uso do caso na propaganda ocorre em um cenário de forte disputa digital. A campanha de Flávio afirma ter registrado crescimento expressivo de sua presença nas redes sociais no último ano e vem utilizando vídeos e plataformas próprias como parte importante de sua estratégia eleitoral.
A campanha de Lula, por sua vez, também intensificou os ataques ao adversário. Desde o início da propaganda eleitoral na televisão, peças petistas passaram a explorar acusações e investigações relacionadas a Flávio, incluindo referências ao Banco Master e a episódios anteriores de sua trajetória política.
A disputa também chegou ao Tribunal Superior Eleitoral. Em setembro, a campanha de Lula acionou o TSE contra a chamada “TV Celular”, plataforma ligada à campanha de Flávio que reúne centenas de vídeos destinados ao compartilhamento, alegando descumprimento das regras de identificação da propaganda eleitoral.
As investigações envolvendo Lulinha passaram a integrar, portanto, uma disputa mais ampla de narrativas entre as campanhas. Enquanto aliados de Flávio procuram associar o episódio ao governo Lula, a campanha petista direciona parte de sua comunicação às controvérsias envolvendo o candidato do PL.
Apesar da exploração eleitoral, as suspeitas investigadas contra Fábio Luís e outras pessoas citadas nos casos não equivalem a condenações. A existência de apurações, documentos ou acusações deve ser diferenciada de uma conclusão judicial sobre eventual responsabilidade criminal dos envolvidos.
Com a proximidade do primeiro turno, os casos envolvendo Lulinha e o Banco Master permanecem entre os assuntos utilizados no confronto entre as campanhas. A estratégia dos dois lados indica que investigações e acusações continuarão ocupando espaço na propaganda e nas redes sociais nos últimos dias antes da votação.
Fotos: O Globo/ Divulgação