SILÊNCIO TÁTICO: CBF PREFERE NÃO ATRAPALHAR O JOGO ELEITORAL DE LULA; “GILMAR MANDA, A CBF OBEDECE”

REDAÇÃO

Entidade mantém silêncio após medida provisória de Lula que proíbe as casas de apostas, enquanto clubes calculam prejuízos com a perda de patrocínios; segundo críticas e informações de bastidores, relações envolvendo Gilmar Mendes e a CBF são apontadas como parte do contexto

A Confederação Brasileira de Futebol mantém silêncio absoluto diante da medida provisória editada pelo presidente Lula que proíbe as casas de apostas. A decisão atinge em cheio a própria entidade, já que a Betano é a patrocinadora máster do Brasileirão e da Copa do Brasil. Enquanto isso, clubes da Série A calculam prejuízos de dezenas ou até centenas de milhões de reais com a perda dos contratos publicitários.
Os times se preparam para retirar os logos das apostas de camisas e gramados até o início de outubro. A CBF, porém, prefere o mutismo. Segundo apontamentos do colunista Lauro Jardim, essa quietude conveniente encontra explicação na influência do ministro Gilmar Mendes, exercida especialmente por meio de seu filho Francisco, figura de peso nos bastidores da confederação.
O ministro já alertou publicamente para os riscos das apostas, mas parece pouco disposto a criar embaraços que possam atrapalhar os interesses eleitorais do Planalto a poucos dias do primeiro turno. A família Mendes mantém laços estreitos com a CBF, que vão do IDP até telefonemas capazes de movimentar dirigentes.
Lula, que em 2023 regulamentou o mercado de apostas e arrecadou bilhões com ele, agora chama o setor de “câncer”. De repente, em plena reta final de campanha, descobriu a urgência de “extirpar o tumor”. A coincidência temporal chama atenção pela conveniência política.
Enquanto os clubes contam o prejuízo e os torcedores perdem os patrocínios que bancavam parte do espetáculo, a entidade máxima do futebol brasileiro opta por não incomodar quem manda no placar. No futebol e na política, às vezes o silêncio vale mais do que qualquer nota oficial.
O episódio expõe as complexas relações entre poder, dinheiro e esporte no Brasil. A CBF, ao se calar, reforça a percepção de que interesses políticos e familiares pesam mais do que a defesa dos clubes e da sustentabilidade financeira do futebol nacional.
Texto: @fabiianobraga
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