Liminar da ministra do TSE tornou inválidas regras da Globo sobre candidatos ausentes, impedindo perguntas dirigidas a Lula e a exibição de púlpito vazio identificado com seu nome durante o debate
“Por que Lula não está aqui no debate?” seria uma das perguntas que os candidatos não poderiam direcionar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva caso o debate presidencial da TV Globo tivesse sido realizado sob as regras determinadas após a decisão da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A liminar de Estela Aranha atendeu a um pedido apresentado pela coligação de Lula e tornou inválida a parte das regras da Globo referente aos candidatos ausentes, segundo informou a própria emissora.
Com isso, os participantes presentes não poderiam direcionar perguntas ao candidato ausente, enquanto a emissora também não poderia manter um púlpito vazio identificado com seu nome. A medida modificou regras que haviam sido previamente estabelecidas para o encontro.
Na prática, questionamentos como “Por que Lula não está aqui?”, caso fossem dirigidos diretamente ao candidato ausente dentro da dinâmica prevista pela Globo, ficariam alcançados pela determinação judicial.
A decisão ganhou ainda mais repercussão por causa da trajetória de Estela Aranha. Ela integra o TSE como representante da classe dos juristas e tomou posse como ministra efetiva em agosto de 2025.
Estela Aranha foi nomeada para o cargo pelo presidente Lula em 10 de julho de 2025. A nomeação, entretanto, não foi uma escolha feita a partir de qualquer pessoa: seu nome integrava uma lista tríplice previamente definida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Na votação do STF que formou essa lista, Estela foi a candidata mais votada para a segunda vaga destinada à classe da advocacia, recebendo 11 votos. Cristina Maria Gama Neves da Silva e Vera Lúcia Santana de Araújo receberam dez votos cada.
Antes de chegar ao posto de ministra, Aranha também havia ocupado funções no governo federal e posteriormente atuado como assessora no gabinete da Presidência do próprio TSE.
Também circulou nesta sexta-feira a informação de que Estela Aranha havia declarado voto em Lula no segundo turno da eleição presidencial de 2022. Esse ponto, porém, deve ser apresentado com atribuição à reportagem ou ao registro original do vídeo, e não como uma conclusão sobre a imparcialidade de sua atuação atual.
Após receber a decisão de Estela Aranha e outra notificação relacionada ao evento, a TV Globo anunciou o cancelamento do debate. A emissora afirmou que as determinações interferiam nas regras previamente acordadas e que, diante dessa situação, decidiu não realizar o encontro presidencial programado para 1º de outubro.
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