Nikolas Ferreira afirma que o bolsonarismo pretende avançar com um eventual processo de impeachment contra Alexandre de Moraes no novo Senado e descarta qualquer possibilidade de negociação com o ministro
Deputado mais votado da história do Brasil após superar a marca de 3 milhões de votos em 2026, Nikolas Ferreira (PL-MG) descartou qualquer possibilidade de acordo entre o bolsonarismo e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Em declaração nesta terça-feira (6), horas depois de Moraes determinar a transferência da militante Débora Rodrigues dos Santos, condenada pelos atos de 8 de janeiro, para o regime semiaberto, Nikolas foi direto: “Não adianta o Alexandre de Moraes fazer nenhum aceno agora, que a gente vai impichar ele com o novo Senado. Isso não tem negociação. É inegociável”.
A declaração ocorre após o PL conquistar uma bancada expressiva nas eleições de domingo (4), chegando a 28 senadores, segundo as informações apresentadas pelo partido. A nova composição da Casa é vista pelo bolsonarismo como uma oportunidade para ampliar a pressão sobre o STF e, especialmente, sobre Moraes. Nikolas sustenta que o resultado das urnas criou condições políticas para que processos de impeachment contra ministros da Corte voltem ao centro do debate.
O peso político da declaração também está relacionado ao resultado pessoal de Nikolas nas urnas. Com mais de 3 milhões de votos, o parlamentar consolidou uma votação histórica e passou a ocupar posição de destaque dentro do campo bolsonarista. O resultado fortalece sua capacidade de influência no debate nacional e dá maior repercussão às suas declarações sobre o futuro das relações entre Congresso e Supremo.
Na avaliação do deputado, eventuais gestos de aproximação feitos agora por Moraes não seriam suficientes para modificar a posição adotada pelo grupo político. A frase “isso não tem negociação” resume a estratégia defendida por Nikolas: manter a pressão sobre o ministro e utilizar a nova correlação de forças no Senado para tentar avançar com um eventual processo de impeachment. O discurso representa uma aposta em confronto institucional por meio dos mecanismos previstos para responsabilização de ministros do STF.
Apesar da pressão do novo grupo, existe um obstáculo importante: a abertura de um processo de impeachment contra ministro do Supremo depende do presidente do Senado. Atualmente, Davi Alcolumbre (União-AP) não demonstra disposição para dar andamento a uma ação contra Moraes. Assim, a maioria defendida pelo bolsonarismo precisará superar não apenas a resistência política, mas também o controle da pauta exercido pela presidência da Casa.
O cenário, portanto, coloca uma bancada bolsonarista fortalecida pelas urnas diante de uma presidência do Senado que, até o momento, não sinaliza disposição para comprar essa briga. Nikolas, porém, deixa claro que pretende manter o tema no centro da agenda política e aposta na força do resultado eleitoral para pressionar o Congresso. Se a nova composição do Senado conseguirá transformar a promessa em um processo efetivo contra Moraes, será uma das principais disputas institucionais do próximo ciclo político.
Texto: @fabiianobraga
Vídeo: Reprodução