LÍDER DE LULA, RANDOLFE RODRIGUES DIZ QUE ESCALA 6X1 É RACISTA E CITA ALEMANHA COMO EXEMPLO PARA O BRASIL

REDAÇÃO

Senador do PT afirma que a jornada de seis dias de trabalho para um de descanso afeta especialmente trabalhadores negros e de baixa renda e defende a redução da jornada semanal sem corte salarial

O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo Lula no Congresso Nacional, classificou a escala de trabalho 6×1 como racista durante discurso no plenário do Senado Federal. O parlamentar também comparou a realidade trabalhista brasileira com a de países desenvolvidos, como a Alemanha, para defender a redução da jornada semanal de trabalho.
“Em primeiro lugar, essa escala é racista”, declarou Randolfe ao abordar os impactos sociais do modelo que estabelece seis dias de trabalho para apenas um de descanso. Segundo o senador, a atual organização da jornada afeta principalmente trabalhadores de baixa renda, especialmente pessoas pretas e pardas.
Durante sua manifestação, Randolfe argumentou que a escala 6×1 contribui para a manutenção de desigualdades históricas no mercado de trabalho brasileiro. Na avaliação do parlamentar, a população negra está entre os grupos mais afetados pelas jornadas prolongadas, especialmente em atividades ligadas ao comércio, à limpeza e à prestação de serviços.
O senador também utilizou a Alemanha como exemplo para defender mudanças na legislação trabalhista brasileira. Randolfe destacou que países economicamente desenvolvidos possuem jornadas semanais menores que as 44 horas previstas na legislação brasileira, sem que isso tenha impedido o crescimento de suas economias.
Ao estabelecer essa comparação, o líder do governo Lula procurou rebater argumentos de setores empresariais que demonstram preocupação com os possíveis impactos econômicos da redução da jornada sem diminuição dos salários. Para Randolfe, a experiência internacional demonstra que jornadas menores podem coexistir com elevados índices de produtividade.
O parlamentar também relembrou as discussões ocorridas durante a elaboração da Constituição Federal de 1988, quando a jornada máxima semanal foi reduzida de 48 para 44 horas. Segundo ele, naquela época também surgiram previsões negativas sobre os efeitos da mudança para empresas e trabalhadores.
Na avaliação de Randolfe, os argumentos utilizados contra a redução da jornada atualmente repetem preocupações apresentadas em outros momentos da história brasileira. O senador defende que a modernização das relações de trabalho deve acompanhar as transformações econômicas e tecnológicas observadas nas últimas décadas.
A proposta de extinguir a escala 6×1 ganhou destaque no Congresso Nacional e passou a mobilizar parlamentares, representantes dos trabalhadores e entidades empresariais. Enquanto defensores da mudança apontam benefícios para a saúde e a qualidade de vida, críticos alertam para possíveis aumentos de custos operacionais e dificuldades de adaptação, especialmente entre pequenas empresas.
Randolfe sustenta que a redução da jornada representa uma oportunidade de ampliar o tempo disponível para descanso, qualificação profissional, lazer e convivência familiar. O parlamentar também considera que a discussão precisa levar em conta as desigualdades sociais e raciais existentes no mercado de trabalho brasileiro.
A declaração do líder do governo Lula acrescenta uma dimensão racial ao debate sobre o fim da escala 6×1 e reforça a comparação entre o Brasil e países desenvolvidos. A discussão permanece concentrada nos impactos econômicos e sociais da proposta, nas condições de implementação e na possibilidade de garantir jornadas menores sem redução salarial, enquanto o Congresso analisa mudanças nas regras trabalhistas do país.
Foto: Agência Senado