Registros atribuídos ao Portal da Transparência do TCE-CE apontam R$ 6.528 em diárias e ajuda de custo para cinco viagens do vice-prefeito João Augusto Goes Mota ao Rio Grande do Norte entre 2024 e 2026; finalidade e resultados dos deslocamentos são alvo de questionamentos
A pergunta que fica no ar é direta: Tejuçuoca tem um vice-prefeito comprometido com as demandas do município ou um verdadeiro embaixador itinerante no Rio Grande do Norte? Registros atribuídos ao Portal da Transparência do Tribunal de Contas do Estado do Ceará (TCE-CE) levantam questionamentos sobre os deslocamentos do vice-prefeito João Augusto Goes Mota para cidades potiguares e os gastos públicos relacionados a essas viagens. Embora visitas institucionais possam fazer parte das atribuições de um agente público, a frequência dos deslocamentos e a finalidade de cada compromisso merecem explicações claras à população.
Entre fevereiro e dezembro de 2024, conforme os registros mencionados, o vice-prefeito teria realizado três viagens a Natal, sob a justificativa de visitas técnicas e institucionais à Secretaria de Saúde. Para esses deslocamentos, foram registrados valores de R$ 816,00, R$ 1.224,00 e R$ 816,00 em diárias. A repetição das viagens ao mesmo destino levanta uma questão legítima: o que foi efetivamente discutido, encaminhado ou conquistado para melhorar os serviços de saúde oferecidos aos moradores de Tejuçuoca? Mais do que registrar a saída de um representante municipal, é necessário demonstrar os resultados obtidos.
Os questionamentos não se limitam a 2024. Em agosto de 2025, os registros citados apontam uma viagem a Mossoró, no Rio Grande do Norte, com R$ 1.632,00 em ajuda de custo para compromissos relacionados à Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) e à Expofruit. Já em março de 2026, uma nova viagem a Natal teria custado R$ 2.040,00, desta vez para participação no Encontro Nacional de Gestores. São deslocamentos que podem ter justificativas administrativas legítimas, mas cuja relevância para o município precisa ser demonstrada por meio de documentos, relatórios e resultados concretos.
Somados, os valores das cinco viagens mencionadas chegam a R$ 6.528,00. Embora esse montante, isoladamente, não permita concluir pela existência de irregularidades, ele representa dinheiro público cuja aplicação deve ser justificada. O contribuinte tem o direito de saber quais atividades foram realizadas, quais autoridades ou instituições foram visitadas e quais benefícios retornaram para a cidade.
Afinal, não basta apresentar uma agenda de compromissos ou uma justificativa genérica: é necessário demonstrar que o gasto público cumpriu uma finalidade de interesse coletivo.
Diante disso, a Prefeitura de Tejuçuoca deveria esclarecer os objetivos de cada deslocamento, divulgar os relatórios correspondentes e informar quais resultados foram alcançados nas áreas de saúde, educação, desenvolvimento econômico ou gestão pública.
Caso existam projetos, parcerias, recursos ou melhorias decorrentes dessas agendas, a divulgação dos documentos ajudaria a comprovar a utilidade das viagens. Se os resultados não estiverem devidamente documentados, a administração terá ainda mais motivos para explicar como avalia a efetividade dessas despesas. Transparência não deve ser tratada como uma formalidade burocrática, mas como um compromisso permanente com a população.
No fim das contas, a questão não é simplesmente saber quantas vezes o vice-prefeito viajou para o Rio Grande do Norte, mas entender o que Tejuçuoca ganhou com esses deslocamentos. Em uma administração pública responsável, cada diária e cada ajuda de custo precisam estar vinculadas a uma finalidade legítima, devidamente comprovada e compatível com o interesse público.
O dinheiro não pertence ao gestor, ao vice-prefeito ou à Prefeitura: pertence à sociedade que financia a máquina pública por meio dos impostos. Por isso, a cobrança por explicações é legítima e necessária. Se as viagens trouxeram benefícios, que os resultados sejam apresentados; se não trouxeram, a população merece saber por quê. Afinal, Tejuçuoca precisa de respostas concretas, não de uma agenda de viagens sem prestação de contas visível.
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