Diferença de 872.372 votos entre o primeiro e o segundo turno levanta questionamentos sobre a transferência de votos, a abstenção e o comportamento do eleitorado fluminense; os números, por si só, não comprovam irregularidades
Há uma diferença expressiva na votação de Lula no Rio de Janeiro entre os dois turnos que levanta questionamentos sobre a dinâmica eleitoral no estado.
O petista passou de 3.693.021 votos no primeiro turno para 4.565.393 no segundo, um salto de 872.372 votos em apenas três semanas.
O dado chama ainda mais atenção quando se observa o universo potencial de votos disponíveis no segundo turno: cerca de 217,8 mil eleitores que não haviam votado no primeiro turno, aproximadamente 147 mil votos brancos ou nulos e 709,8 mil votos destinados aos candidatos eliminados na primeira etapa.
Mesmo considerando o cenário mais favorável possível para Lula, com a transferência integral dos novos eleitores e dos votos brancos e nulos, ainda seria necessário que ele tivesse absorvido cerca de 508 mil dos votos dos candidatos derrotados, o equivalente a mais de sete em cada dez desses eleitores.
O ponto que reforça a estranheza dos números é que, entre os candidatos eliminados citados, Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema declararam apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, tornando a expressiva migração de votos para Lula um fenômeno que merece ser analisado com atenção, especialmente à luz dos dados oficiais de comparecimento, votos válidos, brancos, nulos e distribuição por seção eleitoral.
📝 Texto: Rodolfo Oliveira
📸 Foto: Divulgação
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