Durante transmissão ao vivo, presidente disse sentir falta de frequentar bares e tomar cerveja com Janja; a Reforma Tributária prevê a cobrança do Imposto Seletivo sobre bebidas alcoólicas, com potencial impacto nos preços ao consumidor
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou sentir saudade de frequentar bares e tomar uma cerveja gelada ao lado da primeira-dama, Janja da Silva. A declaração foi feita na noite de quinta-feira (5), durante uma transmissão ao vivo ao lado do deputado federal André Janones, conhecida como “Live da Vitória”. Na ocasião, o presidente falou sobre as limitações impostas à sua rotina em razão do cargo e da estrutura de segurança que o acompanha.
Durante a transmissão, Lula revelou que gostaria de poder entrar em um barzinho, sentar à mesa e pedir uma cerveja gelada ao lado de Janja, sem precisar lidar com as restrições de segurança que envolvem seus deslocamentos. O presidente também mencionou a vontade de caminhar tranquilamente em um parque, como fazia antes de ocupar a Presidência da República.
“Sabe o que que eu tenho saudade? Eu tenho vontade de chegar, eu e a Janja sozinhos, num barzinho pequeno, sentar numa mesa e pedir uma cerveja gelada. Eu tenho. Caminhar num parque”, declarou Lula durante a conversa.
O presidente também afirmou que não frequenta um shopping há aproximadamente 20 anos. Segundo ele, a presença de seguranças e toda a estrutura necessária para seus deslocamentos dificultam atividades comuns, como ir a restaurantes, assistir a shows e circular livremente em espaços públicos.
A declaração ganhou destaque pelo contraste com a política tributária conduzida pelo próprio governo federal. A Reforma Tributária prevê a implementação do Imposto Seletivo, conhecido popularmente como “Imposto do Pecado”, que alcançará produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
Entre os itens sujeitos à nova tributação estão as bebidas alcoólicas, incluindo a cerveja, além de cigarros, bebidas açucaradas, veículos poluentes e determinados produtos relacionados aos combustíveis fósseis. A medida tem como justificativa desestimular o consumo desses produtos e reduzir os impactos associados à saúde pública e ao meio ambiente.
No caso das bebidas alcoólicas, a nova cobrança poderá provocar aumento nos custos de produção, distribuição e comercialização. O impacto poderá chegar aos consumidores por meio dos preços praticados em supermercados, bares, restaurantes e outros estabelecimentos que comercializam cerveja e demais bebidas.
Entidades representativas dos setores produtivo e de bares e restaurantes demonstram preocupação com os efeitos da tributação sobre os preços finais. O receio é que o aumento dos encargos tributários seja repassado ao consumidor, reduzindo o poder de compra e afetando o movimento dos estabelecimentos.
O governo federal, por sua vez, defende o Imposto Seletivo como um instrumento de política tributária destinado a desestimular o consumo de produtos considerados nocivos. A cobrança integra o processo de regulamentação da Reforma Tributária e terá implementação gradual, conforme o calendário estabelecido para a transição do novo sistema.
Assim, a fala de Lula sobre a vontade de tomar uma cerveja gelada em um barzinho acabou colocando em evidência uma contradição política explorada por críticos do governo: enquanto o presidente manifesta saudade de um hábito popular, sua administração conduz uma reforma que prevê tributação adicional sobre bebidas alcoólicas, com potencial de encarecer o produto para milhões de brasileiros.
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