MARCOLA TENTA BARRAR PROCESSO QUE O TORNOU RÉU AO LADO DE DEOLANE BEZERRA POR LAVAGEM DE DINHEIRO DO PCC

REDAÇÃO

Defesa do apontado líder do PCC alega que as restrições de comunicação impostas no presídio federal tornariam impossível sua participação no esquema investigado; Ministério Público aponta movimentações financeiras suspeitas e suposta ligação com a facção criminosa

A defesa de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola e apontado como líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), tenta barrar a ação penal em que ele e a influenciadora e advogada Deolane Bezerra se tornaram réus por suspeita de organização criminosa e lavagem de dinheiro. O processo é resultado da Operação Vérnix, que investiga movimentações financeiras supostamente ligadas à facção criminosa.
Os advogados de Marcola contestam a acusação e alegam que ele e o irmão, Alejandro, estão presos em penitenciárias federais de segurança máxima desde 2019, submetidos a rígidas restrições de comunicação. Segundo a defesa, essas condições tornariam materialmente impossível a participação dos dois nas operações financeiras investigadas.
A estratégia dos advogados é questionar a própria viabilidade da acusação, sustentando que não haveria como Marcola manter contato com pessoas envolvidas no suposto esquema. A defesa busca, com isso, o trancamento ou a anulação da ação penal.
O Ministério Público, por outro lado, aponta a existência de uma estrutura financeira que teria sido utilizada para movimentar recursos de origem ilícita. A investigação reúne suspeitas de transferências fracionadas, depósitos realizados por terceiros e utilização de empresas para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Entre os pontos levantados pela acusação está a suposta participação de uma empresa de transporte de cargas registrada em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Segundo a investigação, a companhia teria funcionado como parte de uma estrutura para movimentar valores por meio de transferências via Pix e contas de terceiros.
De acordo com o Ministério Público, Deolane teria recebido mais de R$ 1 milhão entre 2018 e 2021 em operações que apresentariam características de depósitos fracionados, prática conhecida como smurfing. O método consiste em dividir grandes quantias em diversas transações menores para tentar dificultar a identificação da origem dos recursos.
A investigação procura esclarecer a origem dos valores, os caminhos percorridos pelas transferências e a possível ligação entre os envolvidos. A acusação sustenta que as movimentações fariam parte de um esquema mais amplo de lavagem de dinheiro associado ao PCC.
A inclusão de Deolane no processo ampliou a repercussão do caso, especialmente pela notoriedade da influenciadora e advogada nas redes sociais. Entretanto, as suspeitas apresentadas pelo Ministério Público ainda precisam ser examinadas durante o andamento da ação penal, e a condição de ré não representa condenação.
Marcola, por sua vez, está custodiado no sistema penitenciário federal, em Brasília, enquanto a defesa utiliza as restrições impostas pelo regime de segurança máxima como argumento central para contestar sua participação nos fatos investigados.
Agora, a Justiça deverá analisar os argumentos apresentados pelos advogados e decidir se existem fundamentos para interromper ou anular o processo. Até que haja uma decisão judicial definitiva, as acusações permanecem sob apuração, e os envolvidos têm direito à presunção de inocência.
Foto: Divulgação