ANAC COBRA EXPLICAÇÕES SOBRE JATOS ASSOCIADOS A VORCARO E CITADOS EM VIAGENS DE MORAES

REDAÇÃO

Agência notificou operadores de duas aeronaves ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para esclarecer possíveis voos remunerados sem autorização

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) notificou os operadores de duas aeronaves privadas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro para prestar esclarecimentos sobre possíveis irregularidades em voos que teriam transportado o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua esposa, Viviane Barci de Moraes. O despacho foi assinado em 28 de outubro de 2026 e faz parte de uma apuração sobre possíveis descumprimentos das regras da aviação civil.
Os jatos envolvidos no caso possuem os prefixos PS-FSW e PP-BIO e estão associados a empresas ligadas a Vorcaro, ex-sócio da Prime You e do Banco Master. Segundo as informações divulgadas, nenhuma das duas aeronaves possuía autorização da Anac para realizar transporte remunerado de passageiros, atividade regulamentada como serviço de táxi aéreo.
A investigação busca esclarecer se as aeronaves foram utilizadas para transportar passageiros mediante pagamento sem a devida autorização. A suspeita ganhou repercussão após reportagens apontarem que Alexandre de Moraes e sua esposa teriam utilizado os jatos em deslocamentos entre Brasília e São Paulo durante 2025.
Os registros de deslocamento e as informações divulgadas pela imprensa foram considerados elementos para a abertura da apuração. A agência reguladora pretende verificar as circunstâncias das viagens, identificar os responsáveis pelas operações e avaliar se houve violação das normas que disciplinam o transporte aéreo privado e comercial.
A Anac informou que aguarda as manifestações formais dos operadores das aeronaves antes de avançar na avaliação do caso. A partir das respostas, a agência poderá analisar se houve irregularidades e quais providências administrativas eventualmente deverão ser adotadas.
Um dos pontos que ainda não está esclarecido envolve o jato de prefixo PS-FSW. De acordo com as informações divulgadas, os dados preliminares não permitem confirmar se Alexandre de Moraes estava efetivamente a bordo da aeronave em um dos deslocamentos investigados. O piloto teria negado inicialmente a presença do ministro no voo.
O caso também envolve questionamentos sobre a contratação de serviços de aviação privada pelo escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes. A empresa afirmou anteriormente que realiza contratações regulares de serviços de táxi aéreo corporativo com operadoras privadas, incluindo a Prime Aviation.
Segundo a defesa do escritório, os serviços são devidamente pagos e os valores são compensados por meio de honorários advocatícios. A manifestação também negou qualquer relação pessoal com Daniel Vorcaro ou a presença do banqueiro nos voos mencionados nas reportagens.
O gabinete de Alexandre de Moraes também se manifestou sobre as suspeitas e negou que o ministro tenha realizado viagens em aeronaves particulares de Daniel Vorcaro. A nota afirmou ainda que Moraes não possui vínculo de conhecimento com o banqueiro, refutando as informações que associaram os dois no episódio.
Até o momento, a apuração da Anac não representa uma conclusão sobre a ocorrência de transporte irregular nem comprova que Alexandre de Moraes tenha utilizado as aeronaves investigadas. A agência aguarda os esclarecimentos dos operadores para determinar se houve violação das regras da aviação civil. O caso mantém em evidência as relações contratuais envolvendo serviços de aviação privada e as circunstâncias dos deslocamentos atribuídos ao ministro do STF.
Foto: STF